Brasil vence Jamaica só por 1 a 0

Os 32 mil torcedores que foram ao aconchegante Walkers Stadium, em Leicester, esperavam divertir-se com malabaristas da bola em ação, na apresentação de hoje dos pentacampeões do mundo. No final da partida com a Jamaica, no frio da tarde de outono inglês, o público saiu com a sensação de ter sido enganado. Com exceção do belo gol de Roberto Carlos, e de uma ou outra jogada mais bem elaborada, o que se viu da seleção foi desempenho burocrático, pouco criativo, indolente e que justificou o magrinho 1 a 0. Durante a semana, nos treinos na Inglaterra, Carlos Alberto Parreira tratou de promover bem o confronto contra sparring sem nenhuma tradição. O técnico brasileiro insistiu na tese de que, quando seu time está em ação, "não há amistoso". Essa frase, repetida à exaustão, era a senha para estimular o grupo de craques coroados e bem pagos. Mas não colou. O Brasil entrou em campo praticamente com o que tem de melhor - só não contou com o contundido Ronaldinho Gaúcho, mas apelou para o substituto Kaká, o nome da moda. Portanto, uma formação de primeira grandeza. Mesmo assim, só teve a grande oportunidade aos 14 minutos da etapa inicial - justamente no lance do gol que definiu o placar. O lateral Roberto Carlos acertou chute fortíssimo, de fora da área. A bola tomou efeito, fez a curva e enganou o goleiro Ricketts. A jogada entusiasmou a platéia, disposta a divertir-se, e deixou a falsa impressão de que o Brasil poderia golear. Era a oportunidade adequada, por exemplo, para Ronaldo marcar seu 50.º gol com a camisa amarela e acelerar a corrida particular para superar Pelé (95), sua obsessão atual. Nem o astro do Real, nem Rivaldo nem Kaká brilharam. O trio até tentou tabelas, no primeiro tempo, sem sucesso: ou chutavam para fora ou o goleiro jamaicano defendia. Não havia nem a desculpa da marcação forte, pois os ?reggae boysz? foram respeitosos, pegaram leve e cometeram poucas faltas. Faltou mesmo empenho, velocidade e mais atrevimento à seleção. Parreira até ensaiou uma justificativa, sem convicção, ao afirmar que o rival "jogou atrás". O Brasil mudou no segundo tempo - para pior. Até os 25 minutos, jogava em ritmo de treino e não deu um chute sequer ao gol da Jamaica, que também não mostrou vocação alguma para o ataque. A melhor ocasião foi criada por Ronaldo, em jogada individual dentro da área, mas com arremate fraco, para defesa fácil de Ricketts. Mesmo assim, a principal estrela da companhia achou que o Brasil merecia melhor sorte. "O placar foi bem curto", observou. "Eu mesmo tive três claras chances de gol." Nem tanto. Parreira aproveitou a última parte do jogo para alterações. O treinador colocou os dois Juninhos em campo, além do zagueiro Edmílson. Também testou Adriano no lugar de Rivaldo para formar dupla de ataque com Ronaldo. Isso adiantou pouco. Exceto por Roberto Carlos, a seleção ficou devendo ao educado

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