Hélvio Romero/Estadão
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Brasil x Argentina na Libertadores: o que esperar de Boca e River contra Santos e Palmeiras

A partir desta terça-feira serão conhecidos os finalistas da competição continental

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2021 | 05h00

O empate entre Boca Juniors e River Plate por 2 a 2, sábado, pela Copa da Liga Profissional, mostrou perfis distintos entre os dois adversários de times brasileiros nas semifinais da Copa Libertadores. Se o campeão argentino, rival do Santos, teve pouca posse de bola e efetividade ofensiva, o atual vice do certame internacional, oponente do Palmeiras, foi o inverso.

Número do SofaScore mostram enorme disparidade na posse de bola, com o River batendo a casa dos 72% tanto no primeiro quanto no segundo tempos. O Boca teve o manejo da pelota por apenas 28% da peleja, com 212 passes contra 546 dos Millonarios. Mesmo assim, finalizou 10 vezes, seu rival chegou às 12, empatando em 5 a 5 nos arremates corretos.

Propostas absolutamente distintas dos eternos rivais hermanos, que se enfrentaram na final de 2018, com triunfo do River Plate em Madri; e na semi da Libertadores passada, mais uma vez com o triunfo do êxito de Marcelo Gallardo. Na ocasião, jogou defensiva e cautelosamente na Bombonera, assumidadamente com o objetivo de assegurar sua vaga na decisão.

River Plate e Boca Juniors são times capazes de alternar na forma como atuam, especialmente o adversário do Flamengo na final da Libertadores passada. Já a proposta da equipe xeneize, comandada por Miguel Angel Russo, é de menor posse de bola e jogo mais vertical, com definição mais rápida das jogadas. Nas quartas, teve 49% e venceu o Racing por 2 a 0 com 23 finalizações a quatro.

Assim, é de se imaginar que o Santos espere o Boca em seu campo, quarta-feira, em Buenos Aires, causando incômodo ao time que gosta de ver seu adversário sair do próprio campo, oferecendo espaços. Mais ou menos como na boa atuação santista, em Porto Alegre, frente ao Grêmio. Na oportunidade, o time de Cuca teve menos a bola (37%) e arrematou mais (13 a 11).

O empate por 1 a 1 foi injusto, os santistas jogaram melhor e de certa forma pautaram Renato Gaúcho Portaluppi no duelo vencido por sua equipe contra o São Paulo, na Copa do Brasil. Como o primeiro confronto será fora de casa, o time praiano poderá colocar em prática, ao menos inicialmente, estratégia semelhante à fase anterior. Mas se perder, precisará de um bom plano B na Vila Belmiro.

O River Plate, por sua vez, deverá assumir o controle do jogo a partir da bola. Com mais posse no gramado escolhido por Gallardo, do estádio Libertadores da América, cancha do Independiente, onde sua equipe vem atuando exatamente pelas características do piso, enquanto o Monumental de Nuñez passa por ampla reforma. É a tendência.

Com isso, os palmeirenses, que viveram seus melhores momentos desde a saída de Vanderlei Luxemburgo atuando de forma mais reativa, esperando os rivais e explorando campo para jogadas de velocidade, deverão recorrer a tal estratégia. Defesa bem postada e a rapidez de Rony serão armas vitais para o time de Abel Ferreira, em seu maior desafio no Brasil até aqui.

Tanto com o português como sob a batuta interina de Andrey "Cebola" Lopes, o Palmeiras se saiu melhor atuando dessa maneira. E a forma como o River costuma atuar quando em casa e em busca da vitória deve proporcionar essa possibilidade. O campeão paulista tem material humano para um jogo de maior diversidade, mas ainda não houve tempo para tanto.

Os dois times argentinos são, em tese, favoritos nos confrontos. O Boca por ter elenco superior ao do Santos, o River pelo trabalho mais longo e consistente de Gallardo. Mas em jogos de mata-mata com camisas pesadas de lado a lado, a estratégia correta pode inverter os papéis e as chances dos brasileiros são reais.

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