Brasil x Uruguai: jogo para história

O Centenário abre suas portas neste domingo para um jogo especial, daqueles para se registrar na história. Uruguai e Brasil, às 16h, medem forças nesse lendário estádio e o vencedor terá dado um passo significativo rumo ao Oriente na Copa do Mundo de 2002. A Seleção Brasileira, revigorada com a estréia de Luiz Felipe Scolari no comando, não pode perder. Uma derrota deve comprometer a classificação nas Eliminatórias. Scolari armou um time de alto risco para reverter o momento complicado do time nas seletivas da Copa e no imaginário da torcida. Olhando a tabela, você percebe o tamanho da importância do confronto. O Brasil tem 21 pontos e está em quarto lugar. O Uruguai tem 18, ocupando a sexta posição. É bom lembrar que nas Eliminatórias Sul-Americanas classificam-se os quatro primeiros e o quinto tem mais uma chance na repescagem com a Austrália, representante da Oceania. Os uruguaios encaram o jogo como a última chance de continuar lutando por uma vaga ao Mundial. Por isso, esgotaram os 62 mil ingressos colocados à venda. O Centenário lotado é uma certeza. Victor Pua, o técnico deles, vem com um esquema privilegiando a forte marcação e a velocidade no contra-ataque. Conta com força máxima, isto é, Recoba e companhia. "Nós não nos intimidaremos com o fato de os brasileiros serem consagrados no mundo inteiro", disse o volante Paulo Garcia, um dos expoentes da força-tarefa de Pua. A declaração de Garcia representa bem a encrenca que Scolari tem pela frente. Nomeado às pressas para resgatar a Seleção, Luiz Felipe assumiu o time há apenas 12 dias e recorreu aos nossos "estrangeiros" que antes do advento Scolari eram vistos como mercenários por grande parte da torcida e crítica. Os "estrangeiros" se apresentaram no limite de suas condições físicas. Cafu tem cirurgia marcada, Roberto sofre de tendinite crônica no joelho direito, Antônio Carlos se esforça para esconder a luxação no ombro, Rivaldo tem uma tonelada nas costas com a pressão de jogar bem na Seleção, e Romário é quase um aposentado. Com um naipe desse, Scolari avisou desde lá da Granja Comary que será o jogo da superação. "Pedi a eles que fizessem o último esforço, o último sacrifício, para vencermos o Uruguai e abrir as portas para o Brasil". Um discurso perfeito para quem chega com a obrigação de um messias. O problema é que no meio do caminho foi obrigado a fazer uma mudança radical no que imaginava para a Seleção. Scolari perdeu Mauro Silva e lá foi embora a sua referência. O time com Mauro seria robusto na defesa, como convém ao esquema 3-5-2 - um sonho que virou pesadelo para o treinador. Na ausência de Mauro Silva, Scolari não convocou outro volante e apostou numa formação ofensiva com o pequeno Juninho Paulista ao lado do espigado Rivaldo para empurrar a Seleção e servir Élber e Romário. Lá atrás, apenas Émerson escorado em Roque Júnior, um híbrido de zagueiro e volante, para proteger os desentrosados Antônio Carlos e Cris. Nas laterais, os eternos e únicos Cafu e Roberto Carlos indo e voltando, indo e voltando. Trata-se de uma Seleção mais insinuante com vocação ofensiva como manda a tradição do futebol brasileiro. Ironia ou não, é um modelo que contraria o modelo do chefe. Felipão nunca fez sucesso com times ofensivos. Como o Brasil está na UTI das Eliminatórias, vale a pena correr riscos em nome da vitória.Reconhecimento - A seleção fez na tarde deste sábado o reconhecimento do gramado do Estádio Centenário e Scolari, saudado com entusiasmo por um grupo de brasileiros, aproveitou para treinar cobranças de falta, penâltis e posicionamento defensivo. Ronaldo pode viajar hoje à noite para Montevidéu, para ?dar uma força?? à seleção. ?Espero ser pé quente??, disse.

Agencia Estado,

30 de junho de 2001 | 19h15

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