Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians
Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

Brasileirão volta com o desafio de manter média de 19 mil torcedores por jogo

Nas dez primeiras rodadas, média de público se aproxima de 20 mil, número inédito na era dos pontos corridos

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2019 | 04h30

O Campeonato Brasileiro voltou a ser disputado no fim de semana com o desafio de manter a presença de público. As dez primeiras rodadas do torneio (sem considerar o jogo entre Fluminense e Ceará, na noite desta segunda-feira) tiveram média de 19.381, superando o número de 18.821 do ano passado, que foi a maior desde 1987.

Se o viés de alta for mantido, o campeonato pode ultrapassar a marca dos 20 mil por partida pela primeira vez desde a implantação dos pontos corridos. Relatório recente do Centro Internacional de Estudos do Esporte mostra que a tendência de crescimento é sólida. Ela passou de 13.698 no período 2003-2008 para 17.402 em 2014-2018. Isso significa um aumento de 27%.

Especialistas opinam que os programas de sócio-torcedor, que facilitam a compra de ingressos, e as novas arenas explicam essa tendência. "Ainda há muito espaço para crescimento. Hoje, os clubes contam com perfis em redes sociais com audiências relevantes, mas é o único canal por onde atuam ativamente. Já o Campeonato Brasileiro é totalmente invisível quando começa", exemplifica André Monnerat, gerente de Negócios da Feng Brasil, especializada em projetos de engajamento de fãs e que atua na gestão de programas de sócio torcedor, entre eles, Flamengo, Santos, Vasco, e season ticket, como Allianz Parque.

Monnerat destaca que a festa dos torcidas também pode ser um diferencial para o espetáculo. "Há o que se fazer no entorno do jogo, trabalhando a atmosfera do evento para torná-lo mais diferente, atraente, engajador, inesquecível. A festa espontânea da torcida sempre é um componente importante e precisa ser valorizada sempre. Em alguns jogos decisivos, já tivemos clubes e arenas apostando em espetáculos com luzes, fogos e fumaça. Vimos isso em 2018 em jogos mais marcantes do Flamengo no Maracanã e na final da Copa do Brasil, por exemplo", exemplifica. 

Na visão do especialista, os patrocinadores também podem ter participação mais ativa. "Patrocinadores também poderiam ter sua participação com ativações, como acontece em festivais que reúnem uma quantidade de pessoas semelhante às das grandes partidas. Existe um potencial de geração de receita basicamente inexplorado", completa o especialista.

Para Marcelo Paciello, pesquisador sobre o comportamento do consumidor esportivo e mestre em Gestão do Esporte, os clubes podem ser mais ativos, como, por exemplo, ao estimular a venda de ingressos para toda a temporada (season ticket) e explorar o público empresarial. "Os clubes poderiam criar um departamento comercial para abordar todos os perfis de torcedores", explica. "No Brasil, o foco ainda continua dentro das quatro linhas. Na Europa e Estados Unidos, o foco está no torcedor/consumidor além das quatro linhas", afirma.

Um dos exemplos de ação que procura explorar o potencial do torcedor/consumidor foi dado na Arena Corinthians, na vitória do time da casa sobre o CSA por 1 a 0. O Corinthians inaugurou o Camarote Arena Kids, espaço voltado para o público infantil que oferece estações de videogame, brinquedos infláveis e jogos para os pais.

"Não se enche estádio durante toda a temporada só com os torcedores 'fanáticos', aqueles mais apaixonados por seus clubes. A regra é algo em torno de 50% de 'fanáticos', 20% intermediários e 30% casuais. No Brasil, o foco é apenas nos torcedores mais apaixonados", diz Paciello.

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