Nilton Fukuda|Estadão
Nilton Fukuda|Estadão

Brasileiras relatam emergência em pouso pouco antes de avião da Chapecoense

Tese de falta de combustível ganha força após descrição

O Estado de S. Paulo

30 Novembro 2016 | 10h41

Em busca da causa do acidente envolvendo o avião que transportava o time da Chapecoense, duas possibilidades são discutidas por investigadores: a ocorrência de problemas elétricos e uma pane seca. A versão que aponta a falta de combustível como responsável pela tragédia ganhou força depois de um relato de duas brasileiras nas redes sociais. 

Hanna Pfeffer e Maysa Ramos Brito estavam em uma aeronave da companhia Viva Colômbia, a caminho de San Andrés a partir de Bogotá. O avião colombiano havia solicitado autorização para pouso emergencial por falta de combustível no Aeroporto José María Córdova, em Medellín, minutos antes da chegada do voo operado pela empresa boliviana Lamia. Entre a aterrissagem e o desembarque, elas demoraram 1 hora. Enquanto isso, o avião da Chape descreveu uma trajetória em círculos antes de cair.

 

"Tudo que queria era chegar logo na ilha, quando informaram que deveríamos retornar a Bogotá e partir somente pela manhã. E então veio a trágica notícia do voo que trazia os brasileiros da Bolívia. A polícia informou que o avião caiu próximo do aeroporto que estávamos, depois que pousamos de emergência. O que indica que tivemos prioridade na emergência de nosso pouso. Que sentimento horrível", escreveu Hanna Pfeffer, em sua conta no Facebook.

Ainda não está claro se a emergência no voo comercial pode ser responsável pela tragédia, que matou 71 pessoas, entre jogadores do time brasileiro e comissão técnica, além de jornalistas, convidados e tripulantes, e deixou seis feridos. A tese, entretanto, também é sustentada pelo fato de que não houve explosão.

Confira o relato de Hanna Pfeffer na íntegra:

Tem certas coisas nessa vida que, simplesmente e realmente, não têm explicação. De férias na Colômbia, ontem era o meu voo de Bogotá para San Andrés. Depois de aproximadamente 1h20min de duração de voo, a cabine de comando informou um escapamento de gás na aeronave. O sentimento foi de pânico. Passou um pouco e informou que iríamos fazer um pouso de emergência em RioNegro, cidade perto de Medellin. Naquela hora só rezava, todos em uma corrente de oração com muito medo do que poderia acontecer. Aterrissamos, depois de 1h saímos do avião no aeroporto de José Maria Cordova. Era para termos chegado em San Andrés às 22h e aquela altura, às 23h, não sabíamos de nada. Todos revoltados, protestando, filmando e até ameaçando a companhia aérea. Fiquei extremamente chateada, estressada, desapontada. Afinal tudo que queria era chegar logo na ilha, quando informaram que deveríamos retornar a Bogotá e partir somente pela manhã. E então veio a trágica notícia do voo que trazia os brasileiros da Bolívia. A polícia informou que o avião caiu próximo do aeroporto que estávamos, depois que pousamos de emergência. O que indica que tivemos prioridade na emergência de nosso pouso. Que sentimento horrível. Porque eu deveria fazer parte disso?? Na rádio hoje, a notícia informou que um "outro voo pousou de emergência pouco antes (no caso o meu) naquele aeroporto. Como o voo que trazia os brasileiros não conseguiu contato com a torre, sendo que o eu estava sim?" ninguém por aqui sabe responder nada disso. Mas na minha opinião, como disse ali no início, não tem explicação. Pela benção de Deus o voo que eu estava conseguiu fazer o pouso de emergência... Mas meu coração dispara quando paro e penso que o voo que caiu, estava ali, também tentando pousar. Mas não conseguiu e o porque disso talvez nunca virá. Presto meus mais sinceros sentimentos a todos familiares, amigos e pessoas queridas daqueles que estavam naquele avião. Tem coisa nessa vida que... Que Deus sabe. Tudo bem comigo, e agora estamos indo de novo ao aero para irmos a San Andrés. Com muita fé e Deus sempre nos guiando.

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