Brasileiro 2002: vem confusão por aí

Como ocorre no início de todos os anos, os dirigentes do futebol brasileiro, vestindo paletó e gravata, se reúnem para fazer um balanço da temporada anterior e planejar, ou tentar, o calendário dos campeonatos que se seguirão. O discurso é sempre o mesmo, de que tudo será diferente, o regulamento será cumprido e as datas, seguidas à risca. Mas a confusão e a desorganização são marcas registradas do esporte brasileiro e, é claro, não poderiam faltar à festa.Hoje o presidente do Clube dos 13, Fábio Koff, garantiu que o Campeonato Brasileiro de 2002, organizado pela nova Liga Nacional, terá apenas 26 clubes e não aceitará intrusos. Mas, em conversas informais, outros dirigentes consideram muito remotas as possibilidades de isso ocorrer e já apostam em 28, 30, 32 equipes. O motivo: o enrolado desfecho da Série B de 2001.O Caxias se considera no direito de subir para a Primeira Divisão no lugar do Figueirense. A equipe catarinense vencia por 1 a 0, na última rodada da competição, quando sua torcida invadiu o campo, nos minutos finais, e não permitiu que o jogo fosse encerrado. O empate favorecia os gaúchos. "A torcida do Figueirense foi a responsável pelo fim da partida e, por isso, os pontos têm de ficar com o Caxias", afirmou Ênio Costamilan, presidente do Caxias.O Figueirense também não aceitará ficar fora da Divisão Principal e, para que o problema não se arraste nos tribunais por muito tempo, é possível que a Liga "encontre" um lugar para os dois na Série A. O caso pode, porém, abrir um precedente para que os rebaixados da Série A de 2001 (Sport, América-MG, Santa Cruz e Sport) lutem para não cair. E então o número de clubes na competição ultrapassaria os 30. Segundo advogados que trabalham no esporte e dirigentes ligados ao Clube dos 13, as probabilidades de que essa ?virada de mesa? ocorra são consideráveis.Os problemas da Série B não se resumem ao topo da tabela. Na parte de baixo, há muita confusão à vista. O ABC, um dos rebaixados para a Terceira Divisão, conseguiu liminar na Justiça comum suspendendo os jogos dos dias 27 e 30 de dezembro de 2001 - rodadas do quadrangular da morte para determinar os rebaixados -, que, embora tenham sido realizados, perdem a validade. Segundo a diretoria do clube, o Sampaio Corrêa utilizou um jogador irregular e teria de perder cinco pontos no torneio. Com isso, a tabela sofreria alterações e mudaria os clubes que cairiam. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ainda não se pronunciou sobre o tema.Sistema de disputa ? Por enquanto, está certo que o Brasileiro-2002 será disputado nos mesmos moldes do ano passado. Classificam-se oito equipes para a segunda fase, que jogam no sistema de mata-mata até a final. O regulamento será ratificado pela diretoria da Liga Nacional, que ainda não foi nomeada.A Liga foi obrigada pela CBF a organizar, além da Série A, a B e a C. Koff desconfia de retaliação por parte da entidade, porque a Liga queria comandar apenas a Divisão Principal. ?Vai ser uma dor de cabeça a mais, mas tudo bem?, afirmou Mustafá Contursi, vice-presidente do Clube dos 13 e presidente do Palmeiras.Koff fez questão de garantir que o próximo Brasileiro será bem diferente da Copa João Havelange, o trágico campeonato organizado pelos clubes em 2000. Hoje Koff anunciou que a Globosat fechou contrato com os clubes da Série B para transmitir a competição nos próximos três anos.

Agencia Estado,

17 de janeiro de 2002 | 20h27

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