Arquivo Pessoal/Guilherme Marinato
Arquivo Pessoal/Guilherme Marinato

Brasileiro da seleção russa sonha com Copa: 'O mundo vai redescobrir o país'

Guilherme Marinato se firma como um dos melhores goleiros da liga local e garante que evento mudará a imagem internacional sobre a Rússia

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

10 de junho de 2017 | 17h00

Guilherme Marinato é o brasileiro com mais chances de jogar em casa a próxima Copa do Mundo, apesar dela ser na Rússia. Na fria Moscou, onde mora há dez anos, o goleiro do Lokomotiv comemorou na última semana a presença entre os 23 convocados para defender a seleção local na Copa das Confederações e garante que o torneio, mais a Copa de 2018, vão mudar a imagem internacional sobre o país.

O mineiro radicado no Paraná tem 31 anos e uma carreira feita quase toda na Rússia, graças a duas curiosidades. A primeira foi lá em 2007, quando era titular do Atlético-PR. Um grupo de russos viajou à Curitiba para avaliar a contratação do volante Erandir. Quando começou a observar as partidas, decidiu mudar de planos e levar o então jovem goleiro de 21 anos e 1m97.

O segundo momento inusitado veio em 2009. Guilherme passou uma temporada na reserva, a outra machucado e estava com vontade de voltar ao Brasil até uma reviravolta administrativa o beneficiar. O presidente responsável pela sua contratação, Yuri Semin, voltou ao time como treinador e definiu o brasileiro como titular. "O mais difícil no começo foi o clima e o jeito russo de ser. Não é um povo solidário, principalmente os mais velhos. Se você pede informação para alguém na rua, não respondem", afirmou, em entrevista ao Estado.

Guilherme, desde então, se sente tão à vontade em Moscou quanto em Cataguases, cidade da zona da mata mineira onde nasceu. O clima frio e o idioma já estão incorporados ao cotidiano, assim como o jeito dos russos. "Aos poucos compreendi a história. É um povo sofrido, de muitas guerras. Com o tempo você se acostuma até a não ver o sol", explicou. O goleiro vive na capital do país com a mulher e as duas filhas, todas brasileiras.

O último passo para se tornar russo de vez foi em 2015. O clube incentivou a naturalização para abrir vaga no elenco para a contratação de outros estrangeiros. Guilherme topou e não se arrepende. No ano seguinte foi lembrado pela seleção, atuou como titular da Rússia em amistosos contra Lituânia e República Checa e também integrou o grupo que foi à Eurocopa, na França.

O sonho agora é estar na lista final do elenco para a Copa das Confederações e a Copa do Mundo, dois torneios em casa. "Quando fui convocado, algumas pessoas me criticaram por eu ser estrangeiro. O povo russo é muito patriota, mas não podia dar as costas para o país. Na seleção me trataram muito bem. Os jogadores até brincam comigo, mas daquele jeito deles. Brincam uma vez por semana", comentou o goleiro.

A década vivida na Rússia propiciou a Guilherme ter viajado por quase toda a imensidão do território nacional. O goleiro já passou nove horas no avião apenas para atravessar o país e jogar em Vladivostok, cidade próxima ao Japão, assim como acompanha reformas nos estádios e nas cidades sede da próxima Copa. Na avaliação dele, o país estará muito bem servido de estádios e preparado para receber estrangeiros.

Guilherme explicou que a população mais jovem é mais aberta a visitantes, domina o inglês como segundo idioma e está disposta a ser receptiva, para quebrar a imagem de nação fechada. "O país será outro depois da Copa, vai se abrir, terá mais turistas. O mundo vai descobrir uma nova Rússia", garantiu.

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