Brasileiro de 2004 prevê público maior

O Campeonato Brasileiro de 2003 foi aprovado por boa parte dos jogadores, dos treinadores e dos dirigentes e, mesmo já tendo seu campeão definido com duas rodadas de antecedência, atraiu grande interesse até os últimos dias de disputa. Campinas, Porto Alegre e Belém do Pará, por exemplo, se mobilizaram para ver Ponte Preta, Grêmio e Paysandu se livrarem do rebaixamento. Curitiba parou para ver o Coritiba garantir vaga na Libertadores. O fato de não ter fases decisivas, ao contrário do que sempre ocorreu no Brasil, reduziu a média de público. Em 2002, por exemplo, os jogos receberam quase 13 mil pessoas, enquanto nesta temporada chegaram perto dos 11 mil torcedores de média. Os dirigentes favoráveis aos pontos corridos acreditam que, aos poucos, os brasileiros vão se acostumar com a fórmula de disputa e freqüentar mais os estádios. Rogério Ceni, goleiro do São Paulo, acha que o sistema é o mais justo. "O Cruzeiro foi campeão com méritos, soube se planejar bem e sempre esteve à frente dos adversários", justifica. Se o regulamento fosse o mesmo do ano passado, por exemplo, os mineiros poderiam ser eliminados logo na segunda fase com apenas uma derrota e um empate em dois confrontos com o 8.º colocado, no caso o Flamengo. Os cariocas, contudo, fizeram só 66 pontos ou 34 a menos que os concorrentes de Belo Horizonte, que chegaram a 100 no domingo. Um erro de arbitragem numa dessas partidas decisivas poderia afundar o excelente trabalho feito durante a competição. Foi mais ou menos o que ocorreu com o São Paulo em 2002. Para Alvimar de Oliveira Costa, presidente do Cruzeiro, algumas alterações precisam ser feitas. Ele gostaria que o Brasileiro de 2005 já tivesse 20 participantes e não 22 como vai ocorrer. Apesar do excesso de times, o dirigente considerou "espetacular" a edição de 2003. Pelos cálculos do cruzeirense, o torneio com 20 equipes representa 184 partidas a menos em relação à competição deste ano, o que aliviaria o calendário do futebol nacional em praticamente dois meses e atrairia ainda mais interesse. "Com 20 clubes em cada divisão, teremos um produto muito mais valorizado, mais forte, com maior apelo popular." Seu maior rival, Ricardo Annes Guimarães, presidente do Atlético-MG, gostou da fórmula do Brasileiro e fez questão de lembrar que as agremiações vão ser obrigadas a se planejar cada vez melhor se quiserem ter sucesso. "Vai exigir um alto nível de profissionalização." O dirigente mineiro só lamentou as decisões no "tapetão", referindo-se à sentença do Superior Tribunal de Justiça (STJD). Os paulistas aprovaram o sistema e acreditam que significa a evolução do futebol brasileiro. Os cariocas são os que mais têm restrições, embora estejam cedendo. "Acho que o Brasileiro deveria ter alguma premiação por campeão de turno, como existe no Rio a Taça Guanabara e a Taça Rio. No restante, tudo bem com o sistema de pontos corridos", disse Hélio Ferraz, presidente do Flamengo.

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