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Brasileiro indiciado em escândalo da FIFA continua livre

José Margulies não teve sua vida alterada após investigações

Rebecca R. Ruiz, New York Times

10 Agosto 2015 | 16h52

Alguns estão presos na Suíça, ao passo que outros estão sob prisão domiciliar em Nova York, ou em Assunção no Paraguai. Mas dos 14 indiciados em maio no grande escândalo de corrupção envolvendo a FIFA, somente um continua livre.

José Margulies, 75 anos, não teve sua rotina perturbada em São Paulo, Brasil, país cuja Constituição proíbe a extradição de seus cidadãos a menos que sejam acusados de tráfico de drogas ou crime anterior à sua cidadania brasileira.

"Ele vive livremente no Brasil, de acordo com a lei brasileira e é impossível indiciá-lo", afirmou Jair Jaloreto, advogado de Margulies. "Ele é uma pessoa idosa e doente, e prefere na maior parte ficar em casa com sua mulher".

Margulies tem problemas cardíacos e diabetes, disse o advogado. No entanto, em maio estava de férias na Alemanha quando as autoridades americanas o indiciaram, disse o advogado. Ele retornou ao Brasil logo depois e não mais deixou o país.

Como ocorreu com outros países que adotaram medidas com relação aos executivos e autoridades implicados no escândalo da FIFA que vivem dentro de suas fronteiras, o Brasil iniciou sua própria investigação em resposta às acusações dos Estados Unidos contra Margulies. Ele foi acusado de associação criminosa, lavagem de dinheiro e fraude eletrônica, e como executivo da área de transmissão de eventos esportivos teria auxiliado no acerto de pagamentos ilegais entre executivos de marketing e autoridades ligadas ao futebol.

Mas a investigação brasileira deve durar no mínimo menos um ano, estima o advogado, e nesse intervalo ele continuará em liberdade. 

"Sem um mandado judicial é impossível prendê-lo", disse Antonio Sergio Pitombo, advogado do escritório Moraes Pitombo em São Paulo. Mas embora a sua extradição seja improvável, ela não é impossível. Segundo o advogado, com base na convenção de Palermo, sobre crime organizado e corrupção, as autoridades brasileiras poderão concordar com o envio de Margulies para os Estados Unidos temporariamente para prestar depoimento, exigindo que ele retorne ao Brasil em seguida.

José Margulies - que segundo os promotores também é conhecido como José Lazaro, um apelido de acordo com seu advogado - nasceu na Argentina. Tornou-se cidadão brasileiro em 1973, décadas antes das atividades pelas quais é acusado. Ele possui também cidadanias argentina e polonesa.

"É muito comum os países estabelecerem proteções para seus cidadãos", disse Rebecca Niblock, advogado da Kingsley Napley em Londres, observando que a Rússia normalmente recusa-se a extraditar seus cidadãos e que a Suíça também protege vigorosamente seus nacionais.

Embora seis dos envolvidos no escândalo da FIFA continuem presos na Suíça, não são cidadãos desse país. Jeffrey Webb, ex-presidente de uma confederação regional de futebol, também foi preso na Suíça, mas consentiu em ser extraditado e responde a processo num tribunal federal no Brooklyn. 

Webb pagou fiança e está em Nova York, como também Alejandro Burzaco, executivo de marketing que se entregou para as autoridades italianas. 

Vários acusados tentam se defender contra a extradição, mas estão detidos pelas autoridades locais que realizam suas próprias investigações. Um deles é Nicolas Léoz, em prisão domiciliar no Paraguai, país que realiza sua própria investigação no caso das acusações que pesam contra ele.

Niblock disse que a investigação de José Margulies no Brasil deve se estender até o próximo ano e ele continuará em liberdade. Nesse intervalo Margulies só evitará a prisão se permanecer no Brasil, além do que as autoridades internacionais estão em alerta. Em junho a Interpol expediu o chamado alerta vermelho para Margulies e cinco outro acusados procurados pelas autoridades americanas.

Na sexta-feira Pietro Calcaterra, da Interpol, confirmou que o alerta para Margulies está vigorando, o que significa que, se ele viajar para fora do Brasil, as autoridades americanas serão notificadas da sua chegada em outro país.

A Interpol também vigia Jack Warner, antigo vice-presidente da FIFA e cidadão de Trinidad e Tobago; Warner continua a viver normalmente no país, onde é muito ativo politicamente. Mas ao contrário de Margulies, ao ser detido foi obrigado a devolver seu passaporte antes de pagar fiança.

"Margulies ainda é procurado pelo FBI", disse Kelly Langmesser, porta-voz da agência em Nova York. "Ele é considerado fugitivo e temos um cartaz de busca em seu nome". 

Tradução: Terezinha Martino

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