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Brasileiro marcou gol do título da Inter na Liga dos Campeões de 1965

Jair da Costa, autor do gol contra o Benfica em 1965, vê semelhanças com o Atlético de Madrid

Diego Salgado, O Estado de S. Paulo

24 de maio de 2014 | 07h00

SÃO PAULO - O tempo passou, mas ele ainda leva a Internazionale no coração. E não poderia ser diferente. Pelo time italiano, Jair da Costa jogou durante dez anos e foi o principal responsável por um dos maiores títulos da história do clube. O gol marcado no dia 27 de maio de 1965, contra o Benfica, no Estádio San Siro, deu à Inter o bicampeonato da Liga dos Campeões. A Jair, o reconhecimento eterno.

Nesta semana, o clube de Milão convidou o ex-ponta-direita - reserva de Garrincha na Copa de 1962 - para um jantar de comemoração pelo primeiro título europeu do clube, conquistado em 1964, logo na segunda temporada na Itália. "Estou esperando chegar a confirmação para ir até lá", disse Jair em entrevista exclusiva ao Estado.

O ex-jogador, que também passou pela Portuguesa e pelo Santos, mantém viva a paixão pela Inter. Em sua quadra de aluguel, localizada em Osasco, as paredes são pintadas com a cores do time. Há também no local um espaço reservado às lembranças da época áurea. Além dos dois títulos da Liga dos Campeões (1964/1965), Jair conquistou quatro edições do Campeonato Italiano (1963, 1965, 1966 e 1971). 

O herói do título europeu de 1965 é um dos cinco jogadores brasileiros a marcar gol em finais de Liga dos Campeões (Mazzola, Juary, Carlos Alberto e Belletti completam a lista).

Para Jair, o confronto entre Real madrid e Atlético de Madrid é bem equilibrado, mas o time dos brasileiros Miranda, Filipe Luis e Diego pode surpreender. "O Atlético montou uma equipe muito boa e joga no estilo da Inter da minha época, eles vão jogar no contra-ataque", afirmou.

ESTADÃO: Como foi aquela partida única contra o Benfica em Milão?

JAIR: O jogo, como toda final de Champions League, foi difícil. É um jogo muito importante pelo que representa. Mas a Inter era um time de grandes jogadores. Já tínhamos vencido o Real Madrid no ano anterior. A decisão contra o Benfica foi muito dura, antes do jogo caiu uma chuva terrível e o campo ficou todo alagado. Mas a Inter entrou em campo tranquila e conseguimos ganhar o jogo com aquele gol que eu fiz no fim do primeiro tempo.

ESTADÃO: Qual o grande trunfo daquela equipe?

JAIR: O Benfica era um grande time, tinha Eusébio, Torres, Coluna, Simões. Era um timaço. A gente sabia que teria de correr muito para ser campeão contra eles. O grande líder do nosso time era o (líbero) Armando Picchi, um zagueiro excelente, bom caráter. Nós seguíamos muito a conduta dele.

ESTADÃO: Como ocorreu a trasferência para a Itália?

JAIR: Me transferi pra Itália depois da Copa de 1962. Estava jogando pela Portuguesa quando o presidente me deu uma carta para que eu fosse conversar com um dirigente do Palmeiras. Eu pensei que estava sendo vendido para o Palmeiras, nem pensei na Itália. Mas a proposta era da Inter. Ele me perguntou se eu gostaria de ter a minha independência financeira. Antes disso, o Helenio Herrera, treinador da Inter, tinha me visto nos jogos da Portuguesa. Eu fiquei com receio, mas aceitei. O salário não era tão diferente, mas valia a pena.

ESTADÃO: A passagem pelo clube durou quanto tempo?

JAIR: Fui para a Roma em 1967, depois de vencer tudo pela Inter. O presidente decidiu me vender, mas eu não queria sair. Fique apenas um ano lá. Depois voltei e ainda fui campeão italiano. Retornei ao Brasil em 1972.

ESTADÃO: Você tem noção do que representa à Inter?

JAIR: Sim, mas todo aquele time representou muito. Ganhamos tudo: quatro título italianos, a Liga dos Campeões, a Copa Itália. Essas conquistas são importantes para a Inter. Até recebi um convite na semana passada para participar de um jantar em comemoração dos 50 anos do primeiro título na Liga dos Campeões. Estou esperando chegar a confirmação para ir até lá.

ESTADÃO: E por que voltou ao Brasil em 1972?

JAIR: Eu estava meio cansado da Inter, tive diversas contusões. O Santos foi fazer um amistoso na Itália, eu tinha muita amizade com Pelé, Pepe, Coutinho. Eles me perguntaram se eu gostaria de jogar no Santos. E deu certo, fui liberado. Depois, aqui no Brasil, ganhei o Campeonato Paulista de 1973, era o único título que me faltava.

ESTADÃO: Como foi fazer parte da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1962, no Chile?

JAIR: Foi maravilhoso ver a seleção brasileira ser campeã mundial no Chile. Assistia aos jogos da arquibancada, pois não havia banco de reservas na época. Não dá nem pra explicar. Eu era reserva do Garrincha, mas a seleção tinha Amarildo, Zito, Mauro, Gilmar. Era uma seleção imbatível.

ESTADÃO: Quem será campeão neste sábado: Real ou Atlético?

JAIR: Eu gosto do futebol dos dois times. O Atlético montou uma equipe muito boa e joga no estilo da Inter da minha época, eles vão jogar no contra-ataque. Pelo que tem feito até agora, eles têm muita chance de vencer o Real.

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