LOKOMOTIV MOSCOW/SITE OFICIAL
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Brasileiro que joga na Rússia lamenta racismo e teme ação de hooligans

Ari está há oito anos no futebol russo, joga no Lokomotiv Moscou e não pensa em voltar ao Brasil

Luis Filipe Santos, O Estado de S.Paulo

03 Junho 2018 | 07h00

Há oito anos no futebol russo, o brasileiro Ari já pode se dizer um conhecedor do país que receberá a Copa do Mundo a partir do dia 14. Ele gostou tanto da Rússia que até se naturalizou cidadão local. Em entrevista ao Estado, por telefone, o atacante brasileiro, que foi campeão nacional pelo Lokomotiv Moscou nesta temporada, dá boas dicas do que é o futebol no país dos czares e de como a torcida se comporta nas disputas regionais. Também aponta as belezas de Moscou. Apesar de viver bem e não querer voltar ao Brasil, ele denuncia preconceito contra jogadores estrangeiros no país-sede.

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Um exemplo é o racismo dos russos. Ari conta que já passou por problemas desse tipo. “Já fui xingado por causa da minha cor em clássicos contra o Spartak, por exemplo. Não foi nada legal. E também sei que houve casos com o Hulk e com o Roberto Carlos. Mas acho que está diminuindo nos últimos anos, tenho esperança de que não aconteça durante a Copa”, diz o brasileiro. Recentemente, a Rússia foi multada em 30 mil euros (R$ 128 mil, na cotação atual) por manifestações racistas de torcedores contra atletas franceses em amistoso em Moscou.

Outra preocupação é com o “hooliganismo” – torcedores europeus que vão aos estádios para brigar com a torcida rival.

Durante a Eurocopa de 2016, disputada na França, torcedores russos entraram em confronto com os ingleses; em 2018, foi noticiado que os mesmos grupos fizeram um acordo com “barras bravas” argentinos para enfrentar novamente os britânicos. Ari diz que não ouviu falar desse acordo, mas comenta sobre a violência local. “Os caras marcam pela internet e brigam mesmo. Eles são malucos, sem medo. Vão na mão mesmo, sem usar armas. Já vi acontecer nas torcidas de times como Spartak, Dynamo, CSKA”, afirma.

A violência entre torcidas na Copa é um dos assuntos para os quais a Rússia procurou se preparar na área de segurança – além de possíveis ameaças terroristas do Estado Islâmico ou regiões separatistas do país.

Ari já jogou em alguns do estádios da Copa, como o Krestovsky, nova casa do Spartak, no Lujniki, que sediará a abertura e a final, na Arena Zenit.

O jogador diz ter se impressionado com as decorações e o luxo das novas arenas. O elogio vai principalmente para o Krestovsky, onde o atacante diz ter gostado de jogar pela proximidade da torcida com o campo.

Também jogando na Rússia, o zagueiro Philippe Sampaio se impressionou com outro estádio. “Fomos jogar contra o Zenit em São Petersburgo e é impressionante aquilo. A estrutura é incrível, não perde em nada para os outros países da Europa”, afirmou o atleta do Akhmat Grozny, que chegou ao país da Copa no meio do ano de 2017.

Sobre a seleção anfitriã da Copa, Ari comenta que ela está abaixo dos outros times da Europa, e que o grupo com Uruguai, Egito e Arábia Saudita pode ajudar. “Acho que se passarem da fase de grupos, já estará de bom tamanho”. Sampaio afirma que a própria Rússia sabe da dificuldade e procurará pensar jogo a jogo na competição.

Dicas

Ari comenta sobre alguns locais de Moscou que acredita que merecem ser visitados. “Tem os clássicos como Praça Vermelha e Kremlin, e ao redor deles há shopping e restaurantes bons, alguns no topo de prédios de 85 andares. Há alguns passeios de barcos legais e as estações de metrô são lindas”. Segundo ele, quem for para Moscou não precisará se preocupar com a alimentação, já que a cidade contém restaurantes internacionais.

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