Brasileiro vítima de racismo na Itália

Reginaldo Ferreira saiu de Jundiaí nove meses atrás para tentar a sorte na Europa. O atacante de 18 anos completados em julho animou-se com proposta do time júnior do Treviso, clube do Norte da Itália que disputa a Série C. O período de experiência termina em julho e há possibilidade de assinar contrato como profissional. Tudo correu sem sobressaltos até a tarde de ontem, quando estreou na formação principal. Reginaldo entrou aos 15 minutos do segundo tempo do jogo no campo do Lumezzane e não percebeu que, no mesmo instante, algumas pessoas deixavam a arquibancada. Eram torcedores de sua própria equipe, que se retiraram em silêncio, em sinal de "protesto" pelo fato de o técnico Maurizio Viscidi ter tido a ousadia de escalar um negro com a camisa azul celeste do Treviso. O grupo não viu o time perder por 2 a 0. "Não vi nada e fiquei sabendo depois", afirmou Reginaldo para a Agência Estado. "Uns dirigentes vieram conversar comigo e explicaram que é coisa isolada", conformou-se. "Não estou ligando. Quero ficar aqui e seguir em frente", avisou, com destemor de adolescente. Reginaldo foi levado ao Treviso por Pedrinho Vicençote, ex-jogador do Palmeiras e do Vasco e hoje procurador e empresário de atletas. Junto com ele, estão os garotos Marcus Vinícius (17 anos) e Paulo Vitor (16). Os três moram em república bancada pelo clube e seguem rotina normal de treinos e aulas de italiano na cidade vêneta, próxima da Áustria. "Sou querido aqui e ninguém na rua nunca me tratou mal", garante. A direção do Treviso lamentou o incidente, semelhante ao que ocorreu no ano passado com o nigeriano Akim Omolade, depois transferido para o Torino. "Não temos como controlar o acesso ao estádio de imbecis como esses", afirmou para a Agência Estado o assessor Pierluigi Paladin. "Essa é uma ação que deveria caber às autoridades", protestou. "Trata-se de grupo radical, que de forma alguma representa nossa torcida. Muito menos a cidade. É uma pena."

Agencia Estado,

28 de janeiro de 2002 | 20h24

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