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Brasileiros e argentinos perdem protagonismo no Campeonato Italiano

Europeus lideram entre os estrangeiros contratados na Série A

O Estado de S. Paulo

25 de setembro de 2015 | 07h00

No começo dos anos 2000, a Itália era o grande centro do futebol mundial. E, no comando dos principais times da Série A, estavam os sul-americanos. Ronaldo, Zanetti, Recoba, Crespo, Serginho, Cafu, Julio Cesar, Kaká, Maicon, Ronaldinho, Adriano... Ao mesmo tempo que a crise empobreceu os times da bota, os países do Cone Sul passaram a ter menos representantes no Calcio.

A edição italiana do site EuroSport publicou nesta quinta-feira uma análise dos estrangeiros que chegaram à Itália nas últimas dez temporadas. No primeiro ano recortado, 2006/07, um em cada cinco jogadores estrangeiros que chegavam à Itália era brasileiro, com porcentual perto dos 20%. No mesmo ano, os argentinos detinham 9,5% das transações.

Um exemplo do domínio verde-amarelo é o elenco do Milan daquele ano, que conquistou a sétima taça da Liga dos Campeões, que contava com sete brasileiros: Dida, Cafu, Ricardo Oliveira, Kaká, Serginho e Ronaldo. Ao mesmo tempo, a Roma possuía cinco nascidos no Brasil: Júlio Sérgio, Doni, Rodrigo Defendi, Taddei e Mancini. Nas duas temporadas seguintes, os romanistas ainda adicionaram mais um ao elenco, com Cicinho, Juan e Julio Baptista integrando o grupo.

Porém, no campeonato 2009/10, os nascidos na Argentina pela primeira vez passaram os brasileiros, chegando à marca de 16,1% contra 15,7%. A Inter de Milão campeã da Liga dos Campeões daquela temporada tinha quatro jogadores de cada país em seu elenco, todos titulares. Entre os albicelestes estavam Javier Zanetti, Cambiasso, Diego Milito e Walter Samuel. Brasileiros eram Júlio Cesar, Lúcio, Thiago Motta e Maicon. 

Após passar dois anos com número igual ao dos argentinos (14% em 2013/14 e 11% em 2014/15), o Brasil finalmente voltou a superar os rivais na última janela de transferências. A cidade de Milão abriga dois exemplos, com Miranda entre os nerazzuri e Luiz Adriano no rossonero.

Por todos esses dez anos estudados, os uruguaios estiveram na terceira posição DOP ranking. Mas, se em 2008/09 eles eram 8,9% dos não-italianos, em 2015/16 eles são apenas 3,3%, ficando na quinta colocação no geral. 

Paralelamente à queda sul-americana, os clubes locais se voltaram ainda mais para os vizinhos europeus. Os moradores do Velho Continente representam atualmente 52,8% dos jogadores estrangeiros, marca recorde no período recortado pela EuroSport.

As principais evoluções são da Croácia, Grécia e Holanda. Em 2010/11, Budan, do Cesena e Celjak, da Sampdoria, eram os únicos croatas na Série A, 0,7% do total. Em 2015/16, são 18, uma fatia de 5%. Em 2007/08 os gregos eram representados apenas por Dimitrios Eleftheropoulos, do Siena. No último ano foram dez registros, principalmente na Udinese, Hellas Verona e na Roma.

Clarence Seedorf, mesmo nascido no Suriname, foi o único cidadão dos Países Baixos a atuar no futebol italiano de 2006 a 2008. Um grande contraste com as décadas de 1980 e 1990, quando Van Basten, Ruud Gullit, Davids, Dennis Bergkamp, Van Der Sar e Frank Rijkaard brilhavam em Milão e Turim. A Laranja Mecânica voltou a ter um punhado de jogadores na Itália com De Vrij, De Jong, De Guzman, Strootman, de Roon, Braafheid, Kishna e Hoedt. A Lazio lidera a barca, seguida da Roma, Atalanta, Milan, Napoli e Atalanta.

Se países com campeonatos menos badalados fazem a festa na Itália, Alemanha, Inglaterra e Espanha ficam ofuscados. Desde 2006, apenas seis alemães e nove ingleses foram registrados na Serie A. Os espanhóis estão melhor representados, com 17 nomes no período. Nas dez últimas temporadas, 12 países tiveram um representante em apenas uma temporada do Calcio. Angola, Bolívia, Canadá, Equador, Guiné Bissau, Haiti, Iraque, Letônia, San Marino, Somália, Santa Lúcia e Togo. 

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