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Brasileiros envolvidos em assédio prestam 'imenso desserviço' ao País, diz ministro

Leandro Cruz, ministro do Esporte, critica comportamento de grupo de homens que assediou mulher russa

Jamil Chade, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

20 Junho 2018 | 08h27

Leandro Cruz, ministro do Esporte, critica abertamente o comportamento de alguns homens brasileiros que promoveram situações constrangedoras para mulheres russas durante a Copa do Mundo. Segundo ele, o grupo que assediou mulheres presta um “imenso desserviço” ao Brasil. Mas ele admite que tal caso “não tinha como ser previsto” na cartilha que o governo criou e distribuiu aos torcedores sobre como se comportar na Rússia.

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Pelo menos três casos de assédios ou constrangimentos foram registrados desde o começo da Copa do Mundo, envolvendo torcedores brasileiros e mulheres russas. Pelas ruas de Moscou, porém, casos com outras torcidas também tem sido identificadas, em especial de países latino-americanos.

O Estado presenciou como brasileiros num metrô de Moscou formaram uma espécie de corredor, aplaudindo, assobiando ou vaiando as mulheres que eram obrigadas a passar pelo meio.

Cruz admite que a cartilha preparada pelo governo “não previa o que está ocorrendo e não tinha como prever”. “Não são homens despeitosos com russas. São homens desrespeitosos”, disse. “Isso presta um imenso desserviço ao Brasil”, insistiu.

 

Para o ministro, que está na Rússia desde a abertura da Copa para reuniões e encontros bilaterais, o caso se refere a poucos homens brasileiros. Classificando o ato como “covardia”, ele ainda apontou para “o carinho do povo russo.


“Isso envergonha nosso país e merece toda a repreensão que possamos fazer”, disse. “Trata-se de algo de gravidade imensa e não pode ser tolerada”, afirmou. “Eles não nos representam”, disse.

A embaixada do Brasil em Moscou indicou que tem recebido emails de brasileiros protestando contra a atitude dos torcedores brasileiros. Mas considera que o caso é “isolado” e que a maioria tem tido uma postura exemplar.

Na cartilha distribuída ao torcedor, recomenda-se observar leis e costumes locais, inclusive para a questão de “decoro”. O caso levou a embaixada a enviar um telegrama para Brasília para solicitar orientação.

Uma das dificuldades, porém, é que o governo brasileiro não tem qualquer possibilidade de agir em território russo e os responsáveis por assédios apenas poderiam ser repreendidos se houvesse uma queixa local na polícia por uma das vítimas.

 

 

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