Miguel Vida/Reuters
Miguel Vida/Reuters

Brasileiros fizeram história e marcaram dérbi da Andaluzia

Sevilla e Bétis voltam a se enfrentar sábado, num clássico que já teve atuações memoráveis de Denilson e Dani Alves

Renan Fernandes, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2019 | 04h30

O estádio Ramón Sánchez Pizjuán recebe sábado mais um “Grande Dérbi”, clássico entre Sevilla e Bétis, válido pela 32.ª rodada do Campeonato Espanhol, às 15h45. Além de serem duas das poucas equipes do país a conquistarem o título nacional e a Copa do Rei, os grandes rivais da Andaluzia também têm em comum o importante papel dos jogadores brasileiros em suas conquistas recentes.

Hoje, o Sevilla aparece em vantagem em relação aos títulos, graças ao seu crescimento no século 21, mas foi o Bétis quem largou em vantagem nesse confronto. Na temporada 2004/2005, os “Verdiblancos” foram campeões da Copa do Rei e garantiram sua primeira classificação para a disputa da Liga dos Campeões. Os pilares daquele time eram os meio-campistas Marcos Assunção e Edu, e os atacantes Denílson e Ricardo Oliveira, autor de 23 gols no Nacional e de outros 4 na própria Copa do Rei.

Antes disso, os maiores feitos da equipe eram o Campeonato Espanhol de 1935 e a Copa do Rei de 1977.

Exímio cobrador de faltas, Marcos Assunção lembra com carinho da cidade onde jogou entre 2002 e 2007, fazendo 153 partidas e anotando 27 gols. “Sevilha é a cidade onde eu mais gostei de morar nos 10 anos que estive fora do Brasil. Tenho minha casa lá até hoje. Fui recebido pelos torcedores e pela cidade muito bem, da melhor maneira possível, e tenho amigos lá até hoje. São amigos que fiz que vão muito além do jogador, é um sentimento verdadeiro como se fosse entre irmãos.”

Para unir o grupo e ajudar no entrosamento, Assunção conta que gostava de reunir os companheiros em sua casa. “De vez em quando eu fazia feijoada e chamava o time todo, comissão técnica. Eu sempre gostei de aproveitar meu tempo em casa, nunca fui aquele ‘jogador turista’, que fica indo nos lugares e tirando fotos.”

Outra boa lembrança do Dérbi da Andaluzia ainda viva na memória do ex-jogador, que se aposentou em 2016, era o clima na cidade de Sevilha na semana dos clássicos. “A rivalidade é muito grande, a semana é complicada por conta da cobertura da imprensa, os treinamentos são diferentes, a ansiedade dos torcedores. É sempre uma semana bem agitada, mas nada extrapola as quatro linhas. Não tinha violência do lado de fora, e dentro de campo sempre teve muito honestidade. Isso é sempre o mais importante.”

Jorge Wagner, Diego Tardelli, Rafael Sóbis, Petros e Leandro Damião são alguns jogadores que também tiveram passagens pelo Bétis nos últimos anos, mas sem atingir grandes glórias. Sidnei e Emerson são os únicos representantes do País no atual elenco verde e branco.

Já do lado vermelho e branco da cidade, Daniel Alves, Adriano, Renato e Luís Fabiano participaram ativamente da transformação do Sevilla. Eles estavam presentes nas conquistas da Liga Europa em 2006 e 2007 e da Copa do Rei em 2007 e 2010 (neste último Daniel Alves já havia ido para o Barcelona).

Marcos Assunção recorda que o clima entre os brasileiros era bom, mesmo em lados opostos. “Sempre fomos amigos naquele período, até porque os estádios são muito próximos. Sempre foi muito gostoso de jogar o dérbi, assim como era Lazio e Roma ou um Corinthians e Palmeiras que já joguei.”

Deste grupo, além dos feitos coletivos, vale destacar algumas marcas individuais. Luís Fabiano fez 107 gols em 230 partidas e ocupa o quinto posto na lista de maiores artilheiros do clube. Já o ex-volante Renato participou de 286 jogos e marcou 39 gols no tempo que esteve na Espanha. Ele é o segundo jogador estrangeiro que mais atuou com a camisa “Rojiblanca”, superado apenas pelo atacante franco-malês Frédéric Kanouté, que fez 290 partidas.

O Sevilla voltou a conquistar a Liga Europa entre 2014 e 2016. Apenas na primeira taça desta sequência não contava com um brasileiro. Cicinho, lateral que defende o Oeste, estava no grupo em 2015 e Mariano, hoje no Galatasaray, era o representante do Brasil no último grande feito do time comandado por Unai Emery no tricampeonato.

Antes de passar por sua “era de ouro”, a equipe tinha como títulos de expressão o Campeonato Espanhol de 1946 e as Copas do Rei de 1935, 1939 e 1948.

Outros brasileiros de destaque que passaram pelo Sevilla foram Carlos Alberto Pintinho, nos anos 80, Bebeto, nos anos 90, Júlio Batista e Paulo Henrique Ganso. Hoje, Guilherme Arana faz parte do grupo.

O clássico de sábado é vital para as duas equipes. O Sevilla ocupa atualmente a quinta posição, com 49 pontos, a uma posição que dá vaga direta na Liga dos Campeões. Já o Bétis está com 43 pontos, em nono, e busca lugar na Liga Europa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.