Eduardo Nicolau/Estadão
Eduardo Nicolau/Estadão

Brasileiros já se espalham pelas ruas históricas de Kazan

Cidade que receberá jogo da seleção contra a Bélgica guarda importantes marcos da história da Rússia, como o Kremlin de Kazan

Ciro Campos, enviado especial / Kazan, O Estado de S.Paulo

04 Julho 2018 | 22h35

A seleção brasileira estará em Kazan cercada de história, tradições, personalidades importantes e elementos para se inspirar em busca da vaga na semifinal da Copa do Mundo, no confronto de sexta-feira contra a Bélgica. Em um raio de apenas dois quilômetros da concentração da equipe, estão locais importantes para a história da Rússia, por onde passaram nomes como o líder da Revolução Russa Vladimir Lenin, o escritor Leon Tolstoi e um dos mais famosos czares do país, Ivan IV, o Terrível.

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A equipe desembarca nesta quinta-feira em um local já bastante ocupado por brasileiros, principalmente no ponto turístico principal da sexta maior cidade russa. O Kremlin de Kazan, erguido no século 16, é um patrimônio da Unesco, e fica a 20 minutos de caminhada da concentração. As imponentes muralhas de quase dois quilômetros de extensão e dez metros de altura guardam na parte interna templos, museus, lojas e residências oficiais.

O complexo foi erguido pelo czar Ivan, o Terrível no século 16, logo depois de tirar Kazan dos povos tártaros. Como símbolo da vitória, ergueu no local de um antigo castelo um Kremlin similar ao existente em Moscou, na Praça Vermelha. O soberano também ordenou na ocasião, por volta de 1552, a destruição de mesquitas e símbolos da cultura árabe, para impor o cristianismo ortodoxo.

A perseguição não conseguiu eliminar a ligação histórica de Kazan com o Oriente Médio. Nas ruas e restaurantes, kebabs, lentilha e artesanato árabe são facilmente encontrados. Dentro do Kremlin, foi reerguida em 2005 uma imponente mesquita, destruída durante as investidas russas no século 16 para conquistar Kazan. O prédio atrai vários turistas, principalmente para ficarem no pátio externo, apreciando o pôr do sol no Rio Volga.

 

Na tarde desta quarta-feira, o local estava repleto de pessoas vestidas com camisa amarela e bandeira do Brasil. Muitos aproveitaram a passagem da seleção por Samara na segunda-feira, onde ganhou do México, e encararam os 400 km de estrada para ter contato com Kazan, uma cidade pouco conhecida dos turistas brasileiros. 

“É uma cidade bonita, que me surpreendeu bastante”, afirmou o profissional de logística Luan Dias, que é do Rio de Janeiro e veio à Copa junto com o amigo, o engenheiro mecânico Felipe Reshuen. “É um local com pessoas muito mais pacientes e simpáticas com os turistas do que Moscou”, disse Felipe.

Um grupo de dez brasileiros foi ao Kremlin no entardecer para conhecer o local e bater uma bola. Pouco depois de ensaiarem a primeira troca de passes, outros brasileiros se sentiram à vontade em plena Rússia e quiseram participar da roda. “A hora que a gente sai com a bandeira, camisa e bola, vem muita gente se aproximar e interagir com os brasileiros”, afirmou o estudante Pedro Gutierrez.

Kazan também foi, no passado, a morada de russos ilustres como Lenin e Tolstoi. Os dois foram alunos do curso de direito da universidade local, porém não completaram os estudos. Apesar disso, são lembrados no rol de estudantes ilustres. Lenin chegou também a batizar a instituição no passado, quando o país estava sob o regime comunista.

 

 

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