Brasileiros querem evitar jogos acima dos 2.750 m de altitude

Clubes brasileiros que disputam a Libertadores entram com ação no Tribunal Arbitral dos Esportes da Fifa

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

26 de fevereiro de 2008 | 16h09

Representados pelo Flamengo, cinco clubes brasileiros iniciam um caso contra a Fifa no Tribunal Arbitral dos Esportes. São Paulo, Cruzeiro, Santos e Fluminense, além do próprio Flamengo, querem que a Fifa proíba os jogos da Libertadores acima de 2,750 metros de altitude. Veja também: Dirigentes equatorianos surpresos com veto brasileiro à altitude"A Fifa proibiu os jogos de seleções acima dessa altitude. Por que é que os clubes precisam jogar nessas condições", questionou Pedro Trengrouse, que liderou o caso do Flamengo no Tribunal com sede em Lausanne. A decisão de ir à corte ocorreu depois que a Fifa alegou que não poderia impedir as partidas da Libertadores por se tratar de uma competição da Conmebol. Para os clubes brasileiros, a Fifa tem responsabilidade sobre a competição, já que o vencedor se classifica para o Mundial de Clubes organizado pela Fifa no Japão.Segundo o presidente do Flamengo, Márcio Braga, a Fifa tem documentos médicos que asseguram que jogar acima de 2,750 metros pode causar a morte de jogadores. "Quem será o responsável se isso ocorrer?", atacou. Braga ainda atacou Nicola Leoz, presidente da Conmebol. "Ele votou pela interdição dos jogos de seleções na decisão do Conselho Executivo da Fifa. Agora, não cumpre na própria região onde é o presidente", criticou.O Flamengo jogará contra o Cienciano, de Cuzco (Peru), em um estádio que fica a 3,400 metros de altitude. Hoje, o time enfrenta os peruanos no Maracanã. Mas a estratégia do clube é a de conseguir que o Tribunal conceda uma liminar anulando o local das partidas que ocorrem em abril.Os cartolas esperam uma resposta até meados de março. «Um alto funcionário da Fifa nos disse que esse seria um caso do Flamengo contra o resto do mundo. Não será bem assim", afirmou Trengrouse, garantindo que entrou com o processo também em nome dos demais clubes brasileiros citados. O Flamengo tentou conseguir o apoio da ONU sobre a questão. Mas a entidade se recusou a entrar no assunto. Nesta quarta-feira, Braga estará com o presidente da Uefa, Michel Platini, para tratar do assunto. O objetivo é conquistar o apoio dos europeus para que a lei da Fifa também seja válida para os clubes. Na quinta-feira, Braga irá até Zurique. O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, teria se comprometido a organizar uma reunião entre o presidente da Fifa, Joseph Blatter, e Braga. Até a tarde desta terça-feira, porém, o encontro não estava confirmado. TAÇA GUANABARABraga ainda negou que a arbitragem tenham ajudado o Flamengo na decisão da Taça Guanabara. "O time venceu porque era infinitamente melhor que o Botafogo. Foi um jogo absolutamente normal", afirmou o presidente, que conta que assistiu a partida pela Internet por estar na Europa. "Essas coisas só ocorrem com o Botafogo", ironizou.Braga admitiu que, a partir de agora, a prioridade do clube será a Copa Libertadores, já que já está na final do Campeonato Carioca.

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