Hélvio Romero/Estadão
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Brasileiros riem da eterna crise da Argentina. E a França cresce

Cuidado com os franceses, que há 32 anos são a pedrinha na chuteira verde-amarela

Mauro Cezar Pereira*, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2018 | 04h00

A França é finalista da Copa pela terceira vez em duas décadas – venceu em 1998, perdeu em 2006 e domingo fará mais uma decisão. Antes, em 68 anos e 15 Mundiais, os franceses nem sequer haviam alcançado a última partida do certame. No período recente, o Brasil marcou presença em duas pelejas decisivas, a que perdeu para os próprios gauleses, há 20 anos, e o último título, no já um tanto quanto distante ano de 2002. Trata-se de uma clara mudança no cenário do futebol entre seleções nacionais. Um mero coadjuvante que, antes de sediar um Mundial, não tinha ido além de dois terceiros lugares separados por 28 anos (1958 e 1986), se intromete pra valer na luta pela hegemonia. A França deixa para trás Argentina, que, embora seja a atual vice-campeã, não ergue o troféu há 32 anos; e Itália, que nem sequer foi à Rússia. E também ameaça os brasileiros.

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O time francês enviado a essa Copa tem um meio-campo superior ao do Brasil (especialmente por Pogba e Kanté). Conta com um atacante (Mbappé) que no torneio é melhor do que seu colega de PSG e craque brazuca, Neymar. Tem uma defesa mais eficiente, um goleiro (Lloris) que consegue fazer a diferença como Alisson não foi capaz... Sim, senhoras e senhores, individual e coletivamente, a França é melhor do que o time da CBF. E não há como tratar tal constatação como fato isolado, pelo histórico recente, que mostra os Bleu Blanc Rouge mais competitivos do que os canarinhos, com retrospecto mais interessante e atletas de primeiro nível.

Vale lembrar que, antes de Neymar se tornar o jogador de futebol mais caro do planeta, Pogba detinha tal status. E Mbappé ameaça romper a barreira dos 222 milhões de euros que o PSG pagou ao Barcelona para ter o ex-santista.

O sistema defensivo brasileiro era elogiado. Apresentava números animadores enquanto era desafiado por rivais do naipe de Suíça, Costa Rica, Sérvia e México. Mas não resistiu à qualidade dos belgas, algozes do Brasil, e superada pelos franceses, que sustentaram a vantagem, como haviam feito ante os uruguaios na fase anterior. A Copa mostrou que a defesa boa não era a formada por Tite, mas a de Deschamps.

 

Na frente, esperava-se que Neymar fizesse a diferença, algo que não se confirmou. Quem assumiu tal protagonismo foi Mbappé, que só completará 20 anos em 20 de dezembro. Sim, ele nasceu 161 dias após Zidane (duas vezes) e Emmanuel Petit marcarem contra o Brasil (3 a 0) no Stade de France, em Saint-Denis. Lá, Les Bleus atropelaram o time dirigido por Zagallo com seus quatro títulos mundiais.

Em 12 de julho de 1998 (a final da Copa daquele ano completou 20 anos nesta quinta-feira), a França tatuou sua bandeira na galeria de campeões. Como a secular rival Inglaterra fizera 32 anos antes, também em casa. Mas, ao contrário dos britânicos, os franceses resolveram frequentar o clube dos protagonistas. Ainda estão longe dos cinco títulos do Brasil, mas incomodam, levando a melhor nos duelos diretos mais vivos na memória, em 1986, 1998 e 2006. Enquanto brasileiros riem das derrotas da eternamente em crise Argentina, um rival geograficamente mais distante teima em se meter no melhor momento da festa. E, nos últimos anos, tem sido mais assíduo do que os cinco vezes campeões mundiais. Domingo, pode igualar o número de títulos dos hermanos. Cuidado com a França, que há 32 anos é a pedrinha na chuteira verde-amarela. E parece disposta a incomodar mais e mais.

*COLUNISTA DO ‘ESTADÃO’ E COMENTARISTA DA ESPN

 

 

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