Brasileiros têm tradição no Milan

Rivaldo terá a responsabilidade de honrar a tradição de sucesso de brasileiros no Milan. O clube do magnata e primeiro-ministro Silvio Berlusconi mostrou, ao longo de 103 anos de história, simpatia por estrangeiros - e se deu muito bem com alguns craques importados daqui. José Altafini (o Mazzola), Dino Sani, Amarildo, Angelo Sormani foram os principais, entre os anos 50 e 70. Mais recentemente, Leonardo, Serginho, Roque Júnior, Dida foram convidados a vestir a camisa rubro-negra mais famosa da Europa.O ponto de referência para avaliar a qualidade de atleta trazido do Brasil é Mazzola. O centroavante revelado pelo XV de Piracicaba, na metade dos anos 50, teve passagem brevíssima pelo Palmeiras e logo após o Mundial de 58, na Suécia, desembarcou em Milão. Então com 19 anos, em pouco tempo empolgou os torcedores ?milanistas? com seu estilo rompedor e seus gols. Ele jogou no Milan até 1965 e marcou 120 gols em 205 jogos. Até hoje, é um dos maiores goleadores estrangeiros no futebol italiano.Mazzola adaptou-se de maneira tão perfeita ao estilo de jogo e de vida da Itália que adotou nova nacionalidade. Por isso, foi convocado para defender a ?Squadra Azzurra? no Mundial de 62, no Chile. Ele ainda atuou muitos anos no Napoli e na Juventus. Não voltou mais e hoje em dia divide o tempo com comentários na televisão e em atividades esporádicas como empresário.Sormani também se transformou em ídolo dos ?tifosi? do Milan, no período de 65 a 70. Nessa fase madura da carreira - iniciada no Santos -, participou de 134 jogos e marcou 45 vezes. Com o clube, ganhou tudo o que era possível, de Campeonato Italiano ao Mundial. É outro que decidiu ficar de vez na Itália e chegou a diretor das divisões de base da Roma, outra de suas equipes.Amarildo igualmente criou raízes na Itália, desde que o Milan o tirou do Botafogo, pouco depois do Mundial de 62. Suas atuações no Chile, como substituto de Pelé, chamaram a atenção dos italianos, que o fizeram jogar ao lado de Mazzola. Atacante leve, rápido, apelidado de "Possesso", ficou em Milão de 63 a 67 e deixou sua marca 32 vezes nos gols adversários em 107 partidas. Amarildo ainda jogou também no Napoli, na Fiorentina e ficou por lá.Dino Sani foi contemporâneo de Amarildo e de Mazzola no Milan. O volante que passou por São Paulo, Palmeiras, Corinthians, Boca Juniors chegou a Milão em 61 e saiu de lá em 64. Nesse período, foram apenas 62 jogos, mas 14 gols e muita categoria no meio-de-campo. Seu nome consta da lista de notáveis que defenderam o clube. Como os holandeses Gullit, Van Basten e Rijkaard; os suecos Gunnar Green e Niels Liedholm, Gunnar Nordhal; os italianos Fabio Capello, Franco Baresi, Gianni Rivera, Cesare e Paolo Maldini.Com o futebol que tem, Rivaldo pode facilmente entrar nessa galeria de famosos e tornar encantadas as tardes de domingo no estádio Giuseppe Meazza, o San Siro.

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