Brasileiros viram ídolos em Monterrey

O jogador brasileiro sempre se deu bem na cidade de Monterrey, onde o São Paulo disputou vaga para as semifinais da Taça Libertadores, nesta quarta-feira, diante do Tigres. É o caso de Careca Bianchesi, 40 anos, ex-atacante do Palmeiras no início da década de 90. "Depois que joguei na Atalanta, da Itália, tentei, mas não consegui me adaptar a São Paulo por causa da insegurança", conta. "Decidi ficar porque a cidade é tranqüila, tem um potencial incrível e poderia proporcionar um futuro melhor para minha família", diz Careca, casado e pai de três filhos. Depois de deixar os gramados - teve rápida passagem pelo Rajados de Monterrey -, se tornou comerciante, investiu em imóveis e recebeu convite para participar de programas esportivos. Abraçou a nova carreira há três anos. "Foi uma diversão que se tornou profissão", brinca. "Nas concentrações e treinos eu me divertia narrando os lances", lembra o atual comentarista da TV Azteca e da Rádio Acir, de Monterrey. "Por ter sido jogador, tenho mais sensibilidade para analisar o que o atleta faz em campo." ÍDOLO - O ponta Edu, que atuou com Pelé no Santos, foi o primeiro jogador brasileiro a fazer sucesso em Monterrey. Já no fim da carreira, o atacante foi ídolo da torcida do Tigres, entre 1979 e 1980. "Eu era criança e, como muitas pessoas, vinha ao estádio só para vê-lo jogar", conta o jornalista mexicano Axel Solís, de 35 anos. "Conforme corria pelo gramado, os torcedores iam levantando, só para poder vê-lo mais de perto." Então jogador do Universidad Guadalajara, Milton Cruz, auxiliar-técnico de Paulo Autuori no São Paulo, foi testemunha das exibições de Edu. "O estádio sempre ficava cheio quando ele atuou por aqui", lembra. "O Edu fez sucesso porque tinha um estilo próprio, era habilidoso, driblava muito." O próprio Milton Cruz tem boas recordações do México: ficou 23 jogos invictos pelo Guadalajara, recorde que ainda não foi superado. "O futebol mexicano sempre teve boas equipes, graças, também, aos brasileiros, que se deram bem por aqui", diz Milton. Careca e Edu são apenas alguns exemplos de brasileiros bem-sucedidos em terras mexicanas. Outros, menos famosos, trabalham no futebol do país até hoje. Depois de jogar nas categorias de base do Guarani, o lateral-direito Betinho iniciou a carreira de preparador físico no Tigres em 1993. "Havia terminado a Faculdade e o Aílton (hoje ídolo no futebol alemão) me trouxe para Monterrey", conta o ex-atleta, de 34 anos, que atuou com o atacante Luizão em Campinas. "Éramos muito amigos, sempre saíamos juntos." Betinho está no melhor momento da carreira, como responsável pelas categorias menores do Cruz Azul, um dos clubes mais estruturados do país. "Os brasileiros fazem sucesso aqui porque são alegres como os mexicanos", comenta. "Além disso, sabemos fazer gols, coisa que eles mais gostam."

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