Brasília: a sede improvável do Mundial de Futsal

Distrito Federal não tem força na modalidade, mas será sede por questões políticas

Giuliander Carpes, O Estado de S. Paulo

26 de setembro de 2008 | 13h40

Brasília não tem um time na Liga Futsal, um dos campeonatos mais organizados do esporte brasileiro. O Distrito Federal, ao contrário de estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, sequer possui tradição na modalidade. Mas, junto com o Rio - a cidade maravilhosa está sempre no caminho de qualquer evento -, foi escolhido como sede do Mundial que começa terça-feira. E mais: a seleção do Brasil, uma das favoritas, brindará os brasilienses com os quatro jogos da primeira fase. Espetáculo às margens do lago Paranoá, no belíssimo e reformado Ginásio Nilson Nelson.Veja também:Galeria de fotos - Trajetória da seleção brasileira nos MundiaisJogadores do Brasil tentam se acostumar com bola rápidaFutsal: jogador diz que brasileiro está mal-acostumadoO futsal, no País, é uma mania do interior. Nada de pejorativo nisto. O fato é que Florianópolis e Belo Horizonte são as únicas capitais que possuem time na liga nacional. Dois no Sul, a Unisul e o Colegial, e um no Sudeste, o Minas . Não são, porém, equipes vitoriosas. Nos últimos anos, é inegável, o catarinense Malwee, da pequena Jaraguá do Sul, manda no futebol da bola pesada e da quadra coberta. Foi campeão em 2005, 2007 e 2008, vice em 2006. Tudo, claro, creditado na conta de Falcão, considerado o melhor jogador do mundo.Numa tentativa de capitalizar a popularidade do esporte na cidade, Jaraguá do Sul, com pouco mais de 130 mil habitantes, se candidatou à sede do Mundial de Futsal, quando concorreu com Brasília e o Rio. Não teve chances. Apesar de possuir um bom ginásio, torcida empolgada, tradição, falta infra-estrutura. "Em 99% dos países onde se realiza um certame destes, a capital é prioritária", afirma Aécio de Borba Vasconcellos, presidente da Confederação Brasileira de Futsal. As duas capitais federais, a antiga e a atual, dispõem de aeroportos internacionais, vasta rede hoteleira e grandiosos ginásios. "E o Rio foi escolhido porque o mundo inteiro associa o Brasil à cidade."GRANDIOSO NILSON NELSONNo Rio, o campeonato será disputado no já popular Maracanãzinho, local da final da Liga Mundial de Vôlei deste ano, por exemplo. Brasília não tinha um lugar em condições até pouco tempo. O antigo ginásio Nilson Nelson, inaugurado em 1973 com o nome de Presidente Médici, precisava de reformas, pois estava praticamente fora de uso. O Distrito Federal prometeu entregá-lo em ordem e cumprir todas as exigências da FIFA em 60 dias."Chegaram a duvidar", afirma o secretário de esportes Aguinaldo de Jesus. "Disseram que, se não completássemos a obra, o Maracanãzinho dava conta." Em 58 dias, estava pronto. Tem quadra moderna, similar às utilizadas nos principais pólos do futsal no mundo. "É o mesmo piso em que a gente joga na Espanha", confirma o fixo Schumacher. "Não vamos ter problema." E, o melhor, 11.800 lugares em cadeiras. Conforto incomum no País. "Se o Rio não conseguir dar conta, podem trazer a fase final para Brasília", brinca agora o secretário.

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