Brasiliense entra para a história

A vitória por 2 a 1 sobre o Atlético Mineiro na noite desta quarta-feira em Taguatinga - uma cidade satélite de Brasília - colocou o pequeno Brasiliense na história do futebol brasileiro. Nunca um time com tão pouca idade - ainda não completou dois anos de fundação - havia chegado à final da Copa do Brasil, a segunda competição mais importante do futebol no país.Criado há pouco mais de um ano e meio pelo empresário e ex-senador Luiz Estevão, o time se transformou num fenômeno. Ganhou o apelido de ?Amarelão? - alusão à cor do uniforme e uma referência direta ao ?Azulão?, do também surpreendente São Caetano. No começo do campeonato ninguém se deu conta quando o Brasiliense eliminou o Vasco, do Acre. Depois de perder o primeiro confronto na casa do adversário por 2 a 1, o time reagiu e venceu no Distrito Federal por 1 a 0 e classificou-se por ter feito gol fora.Também ninguém ligou quando passou pelo Náutico do Recife com uma vitória (3 a 2) em casa e um empate (0 a 0) fora. O Brasiliense ainda era um ilustre desconhecido quando eliminou o Confiança, de Sergipe (0 a 0 em casa e vitória de 4 a 1 na casa do adversário). As coisas começaram a mudar a partir das quartas-de-final, quando enfrentou o Fluminense. Ganhou a primeira em casa (1 a 0), resultado que para muitos era apenas sorte de principiante. O time foi ao Maracanã precisando de um empate, mas fez mais que isso. Garantiu a classificação vencendo o Tricolor por 1 a 0.Para muitos, o time já tinha ido longe demais. Do Atlético Mineiro não passaria. Mas não foi isso que se viu. O ?Amarelão? humilhou o Atlético em pleno Mineirão ao vencer por 3 a 0 e garantiu sua vaga na final com 2 a 1 em casa. Agora é sonhar com o título em cima do Corinthians nas finais marcadas para os dias 8 e 15 de maio.Um dono controvertidoAmigo íntimo do ex-presidente Fernando Collor de Mello, cassado há dois anos por suspeita de envolvimento no desvio de R$ 167 milhões do Fórum Trabalhista de São Paulo e respondendo a diversos processos, o ex-senador Luiz Estevão é o ?dono? do Brasiliense. O clube não tem conselho deliberativo e todos os diretores são contratados como funcionários.A camisa amarela do clube estampa a marca do Grupo OK, a empresa de propriedade de Estevão e acusada de envolvimento em fraudes. Apesar de novato no ramo, o senador cassado parece ter aprendido rápido os meandros do futebol. Dois dias antes do jogo com o Atlético, ele reuniu os jogadores e avisou que o prêmio da classificação à final tinha aumentado de R$ 8 mil para R$ 10 mil. Bicho que, como manda a tradição no clube, seria pago em dinheiro vivo no dia seguinte. Além disso, deixou no ar a hipótese de dar um carro para cada jogador caso o time chegasse à final. Depois da vitória no primeiro jogo das semifinais, a imprensa local tratou de dar maior espaço ao ?azarão?. O Correio Braziliense, o principal jornal da capital, estampou o título ?Brasiliense humilha o Atlético?. A reportagem era ilustrada pela foto de Gil Baiano comemorando o primeiro gol. A notícia dividiu o alto primeira página com as informações sobre uma nova crise na Argentina.O Jornal de Brasília seguiu uma linha parecida e deu uma página de seu suplemento esportivo para a vitória. Na reportagem, o time era chamado de ?Carrossel do Cerrado? - uma referência ao revolucionário esquema de jogo adotado pela seleção da Holanda na Copa de 74 e que mudou a forma de jogar futebol.Nesta quinta-feira - após os 2 a 1 e a vaga na final - o título era mais provocativo. ?Brasilisense depena o Galo?.No jogo de ontem, alguns torcedores mostraram um certo salto alto. Uma das faixas exibidas nas arquibancadas já dava a vitória sobre o Corinthians como certa, e ainda previa que o time venceria a Libertadores de América: ?Rumo a Tóquio?, dizia, eufórica. Participe da enquete: quem será o campeão da Copa do Brasil?

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.