Nilton Fukuda | Estadão
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Brenner tem ano goleador e pode superar recorde de Gabriel Jesus

Atacante do time sub-17 do São Paulo tem 28 gols em 11 jogos no Campeonato Paulista da categoria

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2017 | 07h02

O atacante Brenner realizou um sonho na segunda-feira: treinou com os profissionais do São Paulo pela primeira vez e teve contato com o técnico Rogério Ceni e os jogadores. O menino vem sendo a sensação no Campeonato Paulista Sub-17. Ele já marcou 28 gols em 11 partidas e pode quebrar o recorde histórico de Gabriel Jesus, que em 2014 fez 37 gols em 22 jogos.

A média de Brenner é de 2,54 gols por jogo, contra 1,68 do ex-atacante do Palmeiras. Se ele mantiver esse embalo, tem tudo para superar com folga o recorde de Jesus. “Ele quer superar a marca do Gabriel Jesus, está com isso na cabeça. Fez três gols contra o Desportivo Brasil, a família toda estava assistindo em Cotia”, conta Carlos Roberto Cabral da Silva, o Profeta, técnico que descobriu o garoto quando tinha 8 anos.

Ele se referia à penúltima rodada do Paulista Sub-17, quando o São Paulo goleou o Desportivo Brasil por 6 a 0. Na partida seguinte, o tricolor fez 5 a 1 fora de casa no Elosport e Brenner marcou mais dois gols. No sábado, o menino estará em campo em Cotia depois de passar a semana entre os profissionais para enfrentar o Oeste, time que o São Paulo venceu por 6 a 1 fora de casa – Brenner marcou três gols. Ou seja, chance de mais gols para o camisa 9.

“Quando o Brenner apareceu, era um menino feliz, que gostava de futebol, e começamos a trabalhar muito os fundamentos, principalmente o chute com as duas pernas, pois o jogador do futuro tem de ter isso bem treinado’’, explicou Profeta. “Disputamos muitas competições dentro do Mato Grosso, e também fora do Estado, e ele sempre estava junto. Fazia muitos gols, até olímpicos, e procurou trabalhar as deficiências de condução, de domínio, de toque. Sempre foi muito esforçado.”

O garoto começou no projeto social em Cuiabá e logo chamou atenção pelo talento. Na Escolinha do Profeta, conseguiu ter as condições para jogar bola e desenvolver seu futebol. “O pai dele foi jogador de futebol, era muito bom, teve oportunidade no Botafogo-RJ, mas não teve ninguém que acompanhasse sua carreira e ele acabou deixando o futebol”, conta Profeta.

O início foi muito difícil. Brenner era de família humilde e sempre demonstrou que gostaria de ser jogador, mas a falta de condições impedia que se desenvolvesse. Foi aí que apareceu a Escolinha do Profeta. “A gente tem um trabalho social e, dentro disso, uma das ferramentas que temos de maior força para inclusão é o esporte”, explica o treinador, que por causa de uma poliomielite ficou deficiente físico. “É um trabalho difícil. Um dos maiores objetivos é ajudar quem não tem condições de pagar as escolinhas.”

Desde que assumiu a equipe, Rogério Ceni vem estreitando a relação com as categorias de base e costuma levar com frequência garotos que se destacam em Cotia para treinar no CT da Barra Funda. Geralmente os convites vão para os garotos do sub-20, mas desta vez Brenner, que é de uma categoria abaixo, foi chamado. Segundo André Jardine, técnico do time sub-20 do São Paulo, não se deve apressar as coisas com Brenner.

“A gente vê com muita cautela. É um bom início de ano, mas pegamos times fracos. Para nós não é interessante que se badale muito o nome dele porque pode se perder. Ainda tem muita água para rolar. A gente vê com bons olhos o talento dele, mas não podemos queimar etapas. Ele tem de curtir o bom momento no juvenil, fazendo gols, para ganhar confiança”, comenta.

Brenner tem contrato até 31 de dezembro de 2020. O convite de Ceni para treinar com os profissionais também é uma forma de dizer ao garoto que ele está sendo observado. Para Jardine, o caminho ainda é longo. “Parece que ele tem cabeça boa, mas vamos ver como vai reagir. A gente torce para que não se perca. Tem de ter humildade e continuar evoluindo, isso é o mais importante”, afirma.

Para Profeta, é questão de tempo para Brenner começar a dar alegria para os torcedores do São Paulo. “Ele é muito rápido pelo lado, possui uma técnica muito apurada e trabalha com duas pernas. Também pode jogar pelo meio, mais centralizado. É difícil marcá-lo porque ele sai para os dois lados, com a bola rente ao pé, e bate muito forte nos chutes.”

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