Briga de torcidas marca partida entre Vasco e Corinthians

Membros de organizada corintiana invadiram um espaço reservado para vascaínos

LEONENCIO NOSSA, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2013 | 21h19

BRASÍLIA - Foi uma tarde de violência de torcida organizada, despreparo da polícia e, aparentemente, negócios duvidosos no novo estádio Mané Garrincha. Durante o intervalo da partida que terminou num empate de 1 a 1 entre Vasco e Corinthians, integrantes da facção Gaviões da Fiel invadiram o espaço de torcedores vascaínos no anel superior da arena e causaram pânico por cinco minutos nas arquibancadas, ameaçando com palavras e gestos obscenos adultos e crianças. Policiais militares que correram, atabalhoados, para retirar os vândalos foram atacados com cestas de lixos e outros objetos. Em meio ao cheiro de spray de pimenta da polícia, três agentes saíram feridos na cabeça, um torcedor vascaíno foi levado para o posto médico por problemas cardíacos e quatro corintianos foram detidos.

A nova arena, que sediará jogos da Copa do Mundo de 2014 foi reprovada desta vez no quesito segurança. A tropa de 800 policiais deslocada para o estádio não evitou a atuação violenta da Gaviões. Antes, de chegar à arena, integrantes da facção que viajaram em 11 ônibus de São Paulo para Brasília, saquearam energéticos e frangos de um supermercado em Taguatinga Norte, segundo a edição on line do jornal Correio Braziliense.

Mesmo com a chegada da polícia, eles puderam entrar novamente nos ônibus e seguir para o Mané Garrincha. Na saída do estádio, 20 minutos depois de terminar a partida, os integrantes da facção foram escoltados por 86 homens da tropa de choque e uma centena de outros agentes até os veículos

EXPLICAÇÃO

Numa entrevista coletiva para explicar o trabalho de uma semana de preparação da polícia, o secretário-adjunto de Segurança Pública do Distrito Federal, Paulo Roberto Oliveira, não economizou palavras duras contra a Gaviões da Fiel. Ele, no entanto, deixou escapar, que a empresa organizadora da partida não consultou os órgãos de segurança sobre a venda de ingressos sem separação de torcidas. "Não nos consultaram", disse Oliveira. "Quando soubemos eles já estavam vendendo ingressos sem divisão de torcidas."

A declaração de Oliveira deixou em saia-justa representantes de outros órgãos do governo do Distrito Federal, que não souberam nem mesmo responder o nome da empresa organizadora. Embora seja dono do estádio, o governo distrital afirma que a responsabilidade de organizar os jogos é da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), da Federação Brasiliense e do mandante da partida, o Vasco.

O clube carioca vendeu seu direito para uma empresa por R$ 1,5 milhão. A princípio, se chegou a falar que a empresa era a Aoxy, de um empresário ligado ao ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira, a mesma que ficou com quase toda a renda de R$ 7 milhões de um jogo teste entre Santos e Flamengo, em maio. Depois, o clube alegou que não divulgaria o nome da empresa por causa de uma cláusula contratual. Uma representante do governo distrital afirmou que a organização dos jogos no Mané Garrincha poderá ser "reavaliada". Ela se referia, no entanto, ao Vasco. O governo não estuda medidas para inibir a atuação de empresas "sem nome" na arena.

Enquanto o secretário-adjunto de Segurança Pública, Paulo Roberto Oliveira, o promotor do Ministério Público Militar Nizio Toste e o comandante da tropa da polícia no estádio, coronel Cleber Lacerda, respondiam a perguntas sobre as falhas da polícia e prometiam usar o Estatuto do Torcedor para proibir a volta da Gaviões da Fiel à cidade, um personagem conhecido da crônica política já se dirigia para uma das saídas do Mané Garrincha. Cláudio Monteiro, secretário extraordinário da Copa do Mundo em Brasília e responsável pela arena, disse a repórteres, com semblante sério, que também desconhecia a empresa que organizou o jogo. Em junho do ano passado, ele chegou a chorar na CPI do Cachoeira, no Congresso.

Ex-chefe de gabinete do governador Agnelo Queiroz (PT), ele teve o nome mencionado em escutas da Polícia Federal durante investigação do esquema envolvendo a empresa Delta e o contraventor Carlinhos Cachoeira. Depois de se livrar da CPI, Monteiro foi nomeado por Agnelo homem forte da Copa em Brasília. A decisão de abrir a arena da capital a qualquer jogo passa por ele.

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