Montagem/Estadão
Montagem/Estadão

'Briga' por contratações acirra rivalidade entre São Paulo e Palmeiras

Thiago Mendes, Alvaro Pereira, Alan Kardec, Wesley, Conca e Cleiton Xavier: clubes disputam palmo a palmo cada negociação

Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

19 de dezembro de 2014 | 08h34

São Paulo e Palmeiras disputavam a contratação do volante Thiago Mendes, do Goiás, e o clube do Morumbi levou a melhor. Em contrapartida, o lateral Alvaro Pereira está muito próximo de ser companheiro de Valdivia na equipe verde. Esses os dois últimos capítulos de uma rivalidade acirrada entre os dois clubes nos bastidores do futebol brasileiro.

Na contratação de Thiago Mendes, o Palmeiras tomou a dianteira por indicação do ex-treinador Dorival Junior. O versátil volante havia sido o destaque da goleada por 6 a 0 do Goiás sobre o alviverde paulista no Serra Dourada no mês de setembro. A indicação foi referendada pelo novo técnico Oswaldo de Oliveira. Enquanto o Palmeiras negociava com o clube, detentor de 40%, o São Paulo percorreu outro caminho e foi atrás dos empresários que possuem o restante do percentual dos direitos federativos. "Não estou disputando nada com o Palmeiras", declarou o presidente são-paulino Carlos Miguel Aidar em entrevista coletiva na quarta-feira. Internamente, pediu empenho na negociação. E teve sucesso. O São Paulo igualou a oferta palmeirense, de cerca de R$ 6 milhões pelos 40% do Goiás, e a decisão final ficou com o jogador, que se sentiu estimulado pela disputa da Libertadores.

O troco palmeirense já está encaminhado. O lateral Álvaro Pereira não gostou da contratação do concorrente Carlinhos, que veio do Fluminense, e decidiu sair. O técnico Oswaldo de Oliveira gosta do uruguaio e o negócio deve ser concretizado nos próximos dias - os direitos do jogador pertencem à Inter de Milão, que deu sinal verde para o negócio. "Não fecho as portas para ninguém", disse o lateral, indicando que poderia vestir a camisa rival. O presidente são-paulino desdenhou. "Não vamos segurar ninguém. Se o Palmeiras quiser levar, pode levar", afirmou.

A saída de Alan Kardec foi o episódio mais traumático dessa disputa. No mês de abril deste ano, o Palmeiras acertou um salário de R$ 230 mil para garantir a permanência do atletas na renovação do contrato. Em seguida, pediram uma redução para R$ 220 mil. Por fim, na hora da assinatura de contrato, o clube pediu uma nova redução, desta vez em mais R$ 5 mil. Foi o estopim para que o pai do jogador e o próprio atleta abrissem negociação com o São Paulo. Em poucos dias, o atacante mudou de clube. José Carlos Brunoro, gerente executivo do Palmeiras durante a negociação, afirma que a saída foi um divisor de águas na campanha do Palmeiras. "O presidente Paulo Nobre gostava muito do Kardec".

Essa negociação "azedou" a relação entre os presidentes dos dois clubes. "Outros times me ligaram e falaram que tinham interesse, e quando eu encerrasse a negociação iriam entrar. Agora, (agir) de maneira sorrateira é totalmente antiético. A relação entre Palmeiras e São Paulo é péssima desde os anos 40 e com essa administração não será diferente. Somos éticos e não bonzinhos, e continuaremos com nossa política", esbravejou Paulo Nobre. O são-paulino rebateu e disse que a atitude era "juvenil".

A situação do meia Wesley também coloca os dois rivais em cantos opostos. O Palmeiras espera o jogador para acertar uma renovação, que nunca foi efetivada. O jogador já estaria contratado pelo rival, mas se esquiva quando perguntado. Diante das negativas, o Palmeiras decidiu incluir o meia em uma lista de dispensa motivado pelas más atuações na reta final do Campeonato Brasileiro. "Se ele nos procurar, vamos negociar", disse o presidente Paulo Nobre.

Os próximos alvos da disputa já estão definidos: Cleiton Xavier e Conca. Em relação ao primeiro, que atua no Metalist, da Ucrânia, o Palmeiras está em vantagem, pois teve boa experiência com o jogador em 2009 e 2010. O salário do jogador, no entanto, é quase proibitivo. O mesmo acontece com o meia Conca, do Fluminense. Os dois clubes sondaram os agentes do jogador, mas avisaram que só continuam a conversa se o argentino diminuir seu pedido salarial, que gira em torno de R$ 600 mil. Ambos aceitam pagar entre R$ 300 e 350 mil.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.