Brigas de torcidas deixam estádios e vão às ruas

Torcedor morto e dois feridos após o clássico entre São Paulo e Santos foram agredidos a pelo menos dez quilômetros do Morumbi

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2014 | 05h00

SÃO PAULO - O clássico entre São Paulo e Santos, disputado domingo, no Morumbi, terminou com um torcedor espancado até a morte, um baleado e outro ferido na cabeça após ser agredido. Todos os casos foram registrados a mais de dez quilômetros do local do jogo. Para a Polícia Militar, os casos do fim de semana confirmam que a violência no futebol está migrando dos estádios para as ruas.

Márcio Barreto de Toledo, 34 anos, integrante da Torcida Jovem, do Santos, morreu na noite de domingo após ser agredido com barras de ferro no Jardim Aricanduva, zona leste da Capital, mais de 20 quilômetros distante do Morumbi. Após assistir ao clássico, ele foi à quadra da organizada.

Depois, por volta das 20h, quando estava em um ponto de ônibus na Avenida Radial Leste, foi atacado por um grupo de são-paulinos. Segundo testemunhas, os torcedores estavam em dois automóveis e agrediram Toledo. Policiais encontraram o santista desacordado, com diversos ferimentos e sangramentos na parte frontal da cabeça. Levado ao Hospital do Tatuapé, ele não resistiu e morreu.

No mesmo local, um menor de idade chegou a ser agredido, mas conseguiu fugir. Atingido na cabeça, o garoto foi hospitalizado e recebeu alta. Câmeras de segurança mostram torcedores de tocaia, à espera dos santistas.

Antes da partida, por volta das 12h, na Rodovia Anchieta, na região do Sacomã, zona Sul, mais de 10 quilômetros de distância do estádio, Luan de Lima Croce, 22 anos, torcedor do Santos, foi baleado após uma briga com são-paulinos. Morador da Praia Grande e integrante da subsede Baixada da Torcida Jovem, ele levou um tiro de raspão no queixo e não corre risco de morte. Houve tumulto generalizado. Assustados, motoristas andaram pela contramão.

Croce, conhecido na organizada como Gordão, não revelou à polícia o nome dos amigos que estavam com ele nem a placa do carro utilizado pelo grupo. Também não descreveu as características físicas dos são-paulinos.

Para o capitão do 2.º Batalhão de Choque da Polícia Militar, responsável pelo policiamento nos estádios, Marçal Ricardo Razuk, os vândalos deixaram de atuar nos estádios para agir nos bairros mais distantes. “Cada vez mais eles marcam as brigas pela internet e montam emboscadas. Por isso que acabam acontecendo essas fatalidades”, diz.

Razuk lamenta ainda o fato de os torcedores driblarem a ação da polícia. “Se o policiamento está na rua X, eles vão tentar ir para a rua Y. Eles agem de forma sorrateira, sempre escondidos dos olhos da polícia. Armam planos para pegar um torcedor desprevenido, próximo a estações de Metrô e no bairro deles.”

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