Werther Santana|Estadão
Werther Santana|Estadão

Bruno Paulo supera vida de baladeiro para se destacar no Audax

Telefonema da mãe e nova fase impulsionam atacante na carreira

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

08 de maio de 2016 | 07h00

Bruno Paulo agora vai dormir cedo. O despertador soa logo depois do dia começar a raiar, até porque às 8h30 já começa o treino do Osasco Audax. O atacante de 26 anos passou a ser disciplinado há pouco tempo, quando um chamado da mãe o fez acordar para a carreira. O único deslize permitido nesta boa fase vivida durante o Campeonato Paulista é comer algum sanduíche na lanchonete montada meses atrás em Niterói para o irmão gêmeo, Breno.

"Eu errei muito no passado. Se tivesse a cabeça que tenho hoje quando estava no Flamengo, estaria muito bem. Mas foi para aprender. Agora não faço nada de errado", admitiu. Autor de dois gols no Estadual, Bruno Paulo deve chegar em breve como reforço do Corinthians. A transferência sela a retomada de uma carreira que começou promissora, até começar a se perder nas noitadas, festas e gastanças.

O atacante foi campeão brasileiro aos 19 anos com o Flamengo em 2009, e despontava como revelação no time. O título fez do então garoto pobre, um novo rico. "Eu era moleque. Tudo o que era bonito eu queria comprar. Comecei a ganhar dinheiro muito novo. Antes, não tinha nada. Todo mundo acha que jogador é rico. Aí você vai no embalo e gasta demais", contou. O status de jogador de clube grande, de promessa do futebol e de garoto talentoso atraiu amigos interesseiros e amizades com famosos no Rio.

O deslumbramento foi inevitável. A rotina foi quem sofreu. "Eu me machucava muito antes, por ir muito para a balada. Eu ia treinar sem dormir quase todo dia. Com 19 anos, tinha muito pique. Ia treinar 'varado' direto", afirmou. A falta de disciplina o levou a perambular por vários clubes como Vasco, Palmeiras, Atlético-PR, Santo André. A carreira estava em declínio, até o telefone tocar e o fazer despertar.

Do outro lado da linha estava a mãe, Ester. Era começo de 2014. Bruno Paulo estava no Red Bull, na A-2 do Campeonato Paulista. "Eu sempre dava tudo para a minha mãe. Um dia ela me ligou e eu 'acordei'. Ela estava passando dificuldade. Então, tive que despertar para a vida", disse. A partir desse momento, o dinheiro do futebol deixou de ser gasto na vida noturna para ser investido na família.

A decisão fez Bruno Paulo também melhorar no futebol. A boa passagem pelo Red Bull o fez chegar ao Osasco Audax, onde o técnico Fernando Diniz terminou de colocar juízo na cabeça do atacante, ao dizer que a vida de jogador de clube grande é cerca de ilusões e armadilhas. "Agradeço muito a ele, não só pelo futebol. Tem que ser um homem fora de campo, e aprendi muito. O tanto de xingo que tomei aqui...Melhor nem falar!", brincou.

No finalista do Estadual o atacante teve de aprender a marcar, a compreender a mentalidade coletiva e ainda reencontrou um amigo de infância. É o meia Camacho, outro que também deve ir para o Corinthians. "A gente se conhece desde os nove anos, no futsal do Flamengo. Ele morava lá em casa porque tinha dificuldade para chegar nos treinos, por morar longe", afirmou o companheiro. A longa convivência faz Bruno Paulo o chamar de Guilherme, e não pelo sobrenome.

Camacho o indicou como reforço para o Audax por acreditar no potencial do atacante em retomar a carreira. A transferência também trouxe para perto a mãe do amigo. Ester está em Osasco há três semanas e em pleno Dias das Mães, estará na Vila Belmiro para ver a final. "Quando a vejo no estádio, sinto mais força, até pelo que passamos. Nunca a vi tão feliz como está agora", comentou.

 

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