Buffon depõe, e Cannavaro diz que não deixa de ser capitão

A sucessão de escândalos que atinge o futebol italiano atingiu em cheio a seleção do país nesta quarta-feira. Enquanto o goleiro Gianluigi Buffon teve de deixar a concentração de Coverciano, em Florença, para prestar depoimento à Justiça, o zagueiro Fabio Cannavaro afirmou que não renunciará à condição de capitão da equipe.Buffon é acusado de fazer apostas em resultados de jogos de futebol, o que é proibido para atletas profissionais - até novembro do ano passado, o veto se limitava a jogos do Campeonato Italiano, mas desde essa data se estendeu para partidas da Uefa e da Fifa. Ele admite já ter apostado, mas apenas em outros esportes, e quando isso ainda era permitido.Em Parma, ele teve uma conversa "tranqüila" com os promotores, segundo seu advogado, Mario Valerio Corini. "Ele não é investigado pelos promotores de Parma", disse Corini. Foi a segunda vez que Buffon, que não quis dar entrevistas, prestou depoimento - a primeira foi em Turim, voluntariamente, logo que seu nome foi citado na imprensa entre os apostadores.Enquanto isso, em Coverciano, Cannavaro disse que o fato de ter sido citado nas conversas do ex-diretor da Juventus Luciano Moggi, acusado de manipular resultados por meio de pressão sobre juízes e técnicos, não interferem em sua autoridade de capitão da Itália, honraria geralmente concedida ao jogador com mais atuações - ele já tem 91 jogos com a camisa da Azzurra."Não renuncio. Por que devia fazer isso? Tenho a confiança dos meus companheiros", disse o zagueiro, que é acusado de, sob a influência de Moggi, ter pressionado a Inter de Milão para conseguir sua transferência para a Juventus, em agosto de 2004.Uma conversa de seu agente com Moggi sobre esse assunto foi gravada com autorização judicial. "Assinei um contrato regular, sem nenhuma interferência externa. Sou uma pessoa transparente. Há uma investigação na Justiça e quem errou pagará por isso", disse o jogador.Em meio ao tumulto, o ex-jogador Gigi Riva, hoje gerente da seleção, admite que a preparação para o Mundial da Alemanha pode ser prejudicada. "É claro que o ânimo não é dos maiores, mas a situação é essa e não podemos escondê-la", afirmou.

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