Button não quer mais saber da Williams

Durante os dias do GP da Hungria, ano passado, Jenson Button, piloto da BAR, sensação da temporada, afirmou: "A diretoria da BAR precisa entender. Eu tenho de pensar em ganhar corridas, ser o próximo britânico campeão do mundo." Na semana anterior havia assinado contrato com a Williams, para correr este ano, mesmo tendo compromisso, também já definido, com a BAR. O caso foi parar na justiça e a BAR ficou com ele. Hoje, exatamente um ano depois e em Budapeste também, disse: "Espero que Frank Williams entenda a situação. A Williams voltará a ser grande, mas daqui a 3 ou 4 anos, e eu, apesar de estar há 6 anos na Fórmula 1, ainda não venci meu primeiro GP. Quero ganhar corridas, ser o próximo inglês a conquistar o título." Os treinos livres do GP da Hungria começam nesta sexta-feira no circuito Hungaroring. Hoje a temperatura chegou aos 40 graus no autódromo, localizado a 20 quilômetros de Budapeste. Parece coisa de adolescente que uma hora deseja algo e, de repente, renuncia a tudo e passa a pretender algo completamente distinto. Em 2004, Button pediu para David Richards, então diretor da BAR, liberá-lo de defender a equipe este ano. "Não faz sentido eu continuar num time onde não pretendo estar", falou. De um instante para o outro, pelo que declarou à imprensa, hoje, a sua salvação não é mais a Williams, mas a própria BAR. "Sei que cometi erros no passado, mas agora tenho maior controle sobre o meu futuro", comentou o piloto. "Conversei com Frank Williams, há duas semanas, e lhe expliquei tudo", afirmou. O contrato com a BAR, este ano, dizia que se até a etapa de Silverstone, dia 10, Button não tivesse 70% dos pontos do líder do campeonato, poderia, então, transferir-se para a Williams, com quem assinou contrato ano passado. Ocorre que a BAR enfrentou os mais distintos e sérios problemas este ano, até a suspensão de dois GPs, por uso de gasolina como lastro, o que é proibido. E, claro, Button ficou longe de atingir o estabelecido no documento. Hoje, por exemplo, soma 15 pontos, é o 12.º, enquanto Fernando Alonso, da Renault, líder, tem 87. A assessoria de imprensa de Frank Williams recorreu, hoje, ao clássico "no comments" a respeito do assunto. Tudo indica que o caso vai parar, de novo, no Contract Recognition Board (CRB), na Suíça. Trata-se de um escritório de advocacia contratado pela FIA para dirimir dúvidas judiciais nos contratros envolvendo pilotos e equipes. Ano passado o CRB deu ganho de causa para a BAR, que ficou com Button. E agora, o que acontecerá? Ninguém questiona na Fórmula 1 o talento do jovem inglês de 25 anos, mas todos colocam já em dúvida a seriedade com que encara os contratos assinados. Em 2004, foi terceiro no Mundial, com 10 pódios. "Mudou tudo na Williams. Sem uma montadora por detrás do projeto não há como vencer na Fórmula 1", explicou Button. "A Honda adquiriu 45% da BAR. É uma prova, para mim, que permanecerão na escuderia por muito tempo." A Williams perderá a BMW, em 2005. A montadora alemã adquiriu a Sauber. Correrá, apesar de não ter saído o anúncio ainda, com motores Cosworth. E terá de pagar algo como US$ 20 milhões pelo uso. A Cosworth é uma empresa privada, sem ligação com montadora. "Acho que eu e Frank voltaremos a conversar, precisamos, mas não aqui, onde nossa concentração deverá ser na corrida", afirmou Button.

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