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Cabeça erguida

Os atentados de sexta-feira à noite ainda fazem sangue inocente correr pelas ruas de Paris e mantêm a opinião pública internacional em estado de choque. Os terroristas alcançaram os objetivos imediatos, ao chamarem a atenção para si por meio de violência e morte – e, de novo, numa das cidades mais importantes do mundo. 

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

15 de novembro de 2015 | 03h00

Pouco adiantaria matarem centenas em lugares onde pobres coitados morrem como moscas a todo momento e a insensibilidade geral os ignora. Os atos deles não mereceriam mais do que os registros corriqueiros nos jornais e os segundos de imagens nas emissoras de tevê.

Agora vem a segunda parte da estratégia dos extremistas, e consiste em disseminar pânico, levar o pavor no dia a dia de cidadãos comuns. Pretendem pairar sobre as pessoas como ameaças constantes, prontos para novos ataques. Dessa maneira, paralisá-las e travar os países vistos como inimigos.

Um dos desdobramentos da tragédia de 13 de novembro pode respingar sobre o futebol. A França será sede, em 2016, de mais uma edição da Eurocopa, o campeonato europeu de seleções. Entre 10 de junho e 10 de julho, 24 equipes estarão distribuídas por dez sedes em busca do troféu continental. Saint-Denis, Paris, Lyon, Marselha, Lille, Lens, Toulouse, Saint-Étienne, Nice e Bordeaux foram as cidades escolhidas e estão a preparar-se para a festa da bola.

Logo após a matança, surgiram especulações de que os franceses poderiam abrir mão do evento, para evitar riscos de novas ações de com nível de perversidade das de anteontem. Ficou no ar dúvida em torno da capacidade de as autoridades locais garantirem segurança para delegações e torcedores. Assim, suspender tudo seria mais prudente.

Eis o jogo do terror: espalhar o medo, brecar a vida, influir na rotina. Fazer com que o adversário dobre a espinha, curve-se em sinal de submissão. A França não deve ceder; ao contrário, mais do que nunca que mantenha inalterada a programação original. Claro, com redobrada, triplicada, decuplicada vigilância. Serviços de Inteligência da Europa terão de agir em conjunto, o rigor no controle de turistas aumentará, haverá aborrecimentos nas fronteiras. Precauções imprescindíveis, de preferência livres de paranoia.

Para muitos, a confirmação da Euro-16 é fundamental por causa do dinheiro investido e da perspectiva de lucros. Preocupações mesquinhas, relevantes apenas para mentes estreitas. Para os franceses em geral, realizar o torneio tem o peso de resposta pacífica de que não perderão a coragem nem andarão de testa baixa. Questão de honra e autoestima. Será outra vitória da Vida.

TESTES NA SELEÇÃO.

Dunga ousou, no começo do jogo com a Argentina, em Buenos Aires, com escalação ofensiva. A presença de Lucas Lima no meio-campo e a de Ricardo Oliveira na frente, para formar dupla de ataque com Neymar, foi demonstração de que o Brasil toparia o desafio com altivez. No mínimo, não ficaria impassível, à espera de iniciativa do lado de lá e na base do contragolpe. Boa ideia.

Não funcionou, e os argentinos tiveram chance de abrir vantagem folgada no primeiro tempo. A seleção ficou frágil e o sistema defensivo, exposto. Para tanto pesou a marcação dos vice-campeões do mundo em cima de Neymar, que desapareceu. E, com ele, Ricardo Oliveira.

A mudança veio com a entrada de Douglas Costa, mais ágil do que o artilheiro santista e que soube conturbar o zelo dos hermanos. O empate esfriou a turma da casa e fez com que o Brasil crescesse, a ponto de equilibrar o clássico e, em alguns momentos, até superar a Argentina. Lucas Lima, autor do gol, se soltou, tende a ganhar a posição.

A confirmação depende do que mostrar diante do Peru. Depois de acordar, a seleção deu indícios de que tem condições de crescer nas Eliminatórias, embora quatro pontos em três jogos estejam aquém do desejado. E mais: a suspensão de David Luiz dará chance para Gil. O zagueiro do Corinthians está melhor.

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