Cabeças de chave da Copa do Mundo provocam polêmica

No critério da Fifa, pote 1 do sorteio não terá times de tradição como Itália e Inglaterra, e conta com Suíça, Bélgica e Colômbia

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

18 de outubro de 2013 | 07h30

GENEBRA - Brasil x Itália. O jogo poderia bem ser o da final da Copa do Mundo de 2014. Mas, pelo anúncio feito na última quinta-feira pela Fifa sobre a estrutura do Mundial, essa pode ser na verdade a partida de abertura em São Paulo. A Fifa anunciou praticamente todos os cabeças de chaves dos grupos da primeira fase da Copa e, diante de um critério polêmico, abriu a possibilidade para que mais de um grupo da morte seja estabelecido.

Imediatamente, seleções europeias passaram a atacar as regras da Fifa. A França apresentou ontem uma queixa formal, mas a entidade respondeu que se recusa a rever o regulamento antes do sorteio das chaves, no dia 6 de dezembro na Bahia. Ainda assim, nos bastidores, federações já começam a trabalhar para que os critérios para o Mundial de 2018 sejam revistos e o assunto irá virar tema de campanha eleitoral para a direção da Fifa. O voto ocorre em 2015 e deverá opor o francês Michel Platini a Joseph Blatter.

Segundo a decisão da Fifa, o ranking da entidade foi usado como base das escolhas dos quatro potes com oito seleções cada, sem considerar o histórico dos países e nem seu desempenho nas últimas Copas. Os sete primeiros colocados seriam considerados para os grupos, enquanto o Brasil, como sede da Copa, encabeçaria outro.

O resultado é que os cabeças de chave serão Espanha, Brasil, Alemanha, Argentina, Suíça, Bélgica e Colômbia. O oitavo grupo deverá ser liderado pelo Uruguai, caso vença a repescagem contra a Jordânia. Uma improvável derrota colocaria a Holanda no grupo de elite.

A decisão deixou de fora seleções tradicionais como Holanda, Inglaterra e Itália, além de Portugal e França, que ainda precisam se classificar. Na prática, o formato cria um torneio que, desde os primeiros jogos, já poderiam ver verdadeiros clássicos. Argentina e Inglaterra, por exemplo, poderiam se encontrar logo de cara. Ou Espanha e Holanda, um tira-teima da final de 2010.

A metodologia já havia sido adotada pela Fifa em 2010. Agora, a opção por mantê-la veio depois de pressão da Conmebol, que queria mais chances para as seleções sul-americanas num torneio na região. Dos oito grupos, quatro serão liderados por seleções do continente.

Na Europa, cartolas de grandes federações passaram os últimos dias em contatos para formular algum tipo de reação conjunta, já pensando em 2018. Mas fontes consultadas pelo Estado revelaram que o assunto acabará se transformando em plataforma de campanha para a presidência da Fifa.

Platini, em nome dos europeus, terá de apresentar um projeto que atenda também aos interesses de sua região. Já Blatter, caso concorra de novo, deve buscar um apoio fora da Europa e, nesse caso, o atual sistema do ranking pode o ajudar. A base do ataque dos europeus será apontar as incoerências do sistema. A primeira delas seria a situação do Uruguai. A seleção terá de participar de uma repescagem. Mas, mesmo assim, seria uma das cabeças de chave. Outra crítica: Colômbia não vai a uma Copa em 16 anos e a Bélgica volta ao Mundial depois de 12. Mas, mesmo assim, terão posições de destaque.

A Suíça também ganhou a cabeça de um grupo, apesar de ter somado seus pontos no grupo das Eliminatórias mais fácil da Europa, com adversários como Albânia, Chipre e Eslovênia.

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