Arte/estadao.com.br
Arte/estadao.com.br

Cabinda é um barril de pólvora

A Frente de Libertação do Estado de Cabinda (Flec), que reivindicou a autoria do atentado contra o ônibus da seleção de Togo, luta contra o governo de Angola pela independência do território, um enclave angolano entre a República do Congo (ex-Congo francês) e a República Democrática do Congo (ex-Congo belga).

Cristiano Dias,

10 de janeiro de 2010 | 12h09

 

Cabinda é uma nesga de terra de 7.283 quilômetros quadrados - um pouco maior do que o Distrito Federal - com 300 mil habitantes - uma população menor do que Jundiaí (SP). O território, contudo, é responsável por 70% da produção de petróleo de Angola, o que torna o governo central em Luanda absolutamente dependente da região.

 

A Flec foi fundada após a independência de Angola, em 1975. O grupo baseou a luta separatista no argumento de que os cabindas possuem diferenças históricas e culturais com os angolanos - o território era um protetorado de Portugal, que foi unido a Angola por decreto do ditador Antônio Salazar, em 1956.

 

Descontentamentos

 

Após a independência angolana, Cabinda tornou-se uma das 18 províncias do país. Atualmente, no entanto, há um profundo descontentamento entre a população, que não recebe os benefícios da produção de petróleo - os royalties se perdem em meio à burocracia e a corrupção de Luanda.

 

Em 2006, os separatistas assinaram um acordo de paz com o governo em troca de uma autonomia especial para a região. A maioria dos guerrilheiros da Flec chegou a ser desmobilizada, mas a violência não terminou. A insatisfação dos cabindas com a política do presidente angolano, José Eduardo dos Santos, manteve viva a ação da guerrilha, embora enfraquecida e com pouco poder de fogo.

 

Alvo

 

O grupo passou a ser comandado do exílio por Antônio Luís Lopes e a promover ações restritas à selva e contra empresas multinacionais que trabalham em Cabinda para o governo central. Quando o Comitê Organizador da Copa Africana de Nações marcou jogos no Estádio Nacional de Chiazi, na capital de Cabinda, a Flec alertou que as delegações estrangeiras poderiam virar alvo da guerrilha.

Tudo o que sabemos sobre:
AngolaTogoCabinda

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.