Leandro Lopes/CBF
Leandro Lopes/CBF

CBF tenta reverter compra de jato feita por Caboclo no dia em que ele foi denunciado por assédio

Com pagamento à vista, aeronave custou R$ 71,7 milhões; presidente está afastado do comando da entidade desde o dia 6 e junho

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2021 | 15h13

Afastado de suas funções desde o domingo passado por decisão do Comitê de Ética da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o presidente da entidade, Rogério Caboclo, teve como um de seus últimos atos no cargo a aquisição de um jato por US$ 14 milhões (R$ 71,7 milhões na cotação atual). Detalhe: a compra do avião foi realizada com pagamento à vista e finalizada na sexta-feira, dia 4, no mesmo dia em que uma funcionária da CBF formalizou denúncia de assédio sexual e moral contra ele.

A informação foi publicada inicialmente pelo UOL, e confirmada pelo Estadão. A intenção de Caboclo era de que o avião, um Legacy de 16 lugares, ficasse a serviço da CBF. A questão é que a entidade já possui um jato particular (um Citation, de 12 lugares) que é basicamente utilizado para deslocamentos da cúpula da confederação - em especial, do presidente Rogério Caboclo.

A compra do jato não havia sido discutida com o restante da diretoria, que tenta agora se desfazer do negócio. Nos corredores da CBF, o avião é considerado (mais) uma "herança maldita" de Caboclo. A diretoria interina da entidade tenta devolver o avião, mas isso é considerado muito difícil. A outra opção é revendê-lo pelo mesmo valor.

Eleito presidente da CBF em 2018, Rogério Caboclo assumiu o cargo máximo da entidade em abril de 2019. Ele foi afastado por 30 dias no último domingo após decisão do Comitê de Ética da entidade, que recebeu denúncia de uma funcionária por assédio moral e sexual contra o presidente na sexta-feira. Caboclo nega as acusações. Quem assumiu seu lugar foi o vice-presidente Antônio Carlos Nunes, de 82 anos. Ele é o mais velho na função, e homem de confiança do ex-presidente Marco Polo del Nero, banido do futebol pela Fifa.

Em 2019, de acordo com seu balanço, a CBF teve faturamento de R$ 967 milhões, o maor da sua história e uma aumento de 43,3% em comparação ao ano anterior. Em 2018, a cifra foi de R$ 668 milhões. Os números foram divulgados após serem aprovados, por unanimidade, na Assembleia Geral da CBF. Com o anúncio da receita, a entidade ampliou sua arrecadação pelo segundo ano consecutivo. Antes disso, em 2017, a receita foi de R$ 590 milhões, uma queda em relação a 2016, quando registrou R$ 647 milhões. Por sinal, 2017 foi o único ano em que a receita da CBF caiu nos últimos dez anos. Para efeito de comparação, em 2010 a cifra era de R$ 263 milhões.

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