Thais Magalhães/CBF
Thais Magalhães/CBF

Caboclo defende árbitros e calendário: 'Clubes jogam número de partidas que contratam'

Presidente da CBF fez um longo discurso na cerimônia da Premiação do Brasileirão 2020

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2021 | 21h38

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Rogério Caboclo, defendeu a arbitragem brasileira e o calendário do futebol nacional nesta sexta-feira, durante a cerimônia da Premiação do Brasileirão 2020, no Rio de Janeiro. Em longo discurso, o dirigente exaltou a "classe isenta" da arbitragem nacional e disse que os clubes é que são os responsáveis pelo número de jogos ao longo da temporada.

"Muitas vezes despejamos a nossa felicidade ou infelicidade na arbitragem, falando quanto o nosso clube é prejudicado, nunca favorecido. Todos os clubes se dizem prejudicados. Se isso for verdade, quem será o favorecido se todos os 20 são prejudicados?", questionou o presidente, no início da cerimônia.

"Na verdade, não existe clube prejudicado ou favorecido porque, se existe uma classe isenta, correta, digna, profissional e que eu aposto e digo, em alto e bom som, que pertence ao time da CBF, é a classe da arbitragem. São profissionais que merecem todo o nosso respeito. Os árbitros do Brasil não erram mais que os árbitros de qualquer lugar do mundo. E, por isso, tenho a honra de dizer que o campeão do Brasil se consagrou dentro das quatro linhas", afirmou, ao defender os árbitros, alvo constantes de críticas e ataques ao longo do Brasileirão, principalmente em razão do VAR.

Caboclo também saiu em defesa do calendário nacional. Amenizando o sorriso com o qual fez a maior parte do seu discurso e até mudando de tom, o presidente da CBF enfatizou que a quantidade de jogos disputados no futebol brasileiro é de total responsabilidade dos clubes.

"Quero repetir e ser muito franco. Os clubes jogam o número de partidas que os clubes contratam, não mais e não menos. O clube que joga 80 partidas significa que o clube assinou por 80 partidas. E a CBF transforma isso em calendário. O calendário não é feito pela CBF", declarou, rebatendo declarações recentes de treinadores sobre a quantidade de jogos do calendário - o último deles foi Abel Ferreira, do Palmeiras.

"A CBF não assina os contratos. Falo com muita clareza e muita coragem porque falo isso para os presidentes (dos clubes). Se algum treinador ouviu errado, que agora entenda certo: não existe calendário irracional feito pela CBF", disse o dirigente, em tom mais exaltado.

O presidente da CBF exaltou o ano de superação, em razão da pandemia, e revelou que a entidade investiu R$ 30 milhões no combate à transmissão do novo coronavírus e realizou 80 mil testes. "Foi um ano de superação de todos. E foi um recorde de investimentos da CBF no futebol. Se habitualmente a CBF investe R$ 500 milhões em fazer futebol, este ano foi muito além. Entregamos todas as competições planejadas", afirmou.

"Fico irradiante em dizer que este ano superamos uma pandemia que tomou o País. Que tomou o mundo. Mas que o mundo não conseguiu fazer frente em momento algum. Todos se curvaram a ela, jogando a base e o feminino fora. O Brasil não fez isso. Tomo aqui a liberdade que, ao dizer isto, aos líderes mundiais do futebol, eles se disseram surpresos. 'Como é que o Brasil consegue fazer isso?'. Eu disse que a CBF tem recursos, que tem capacidade para fazer isso", declarou.

Por fim, Caboclo disse sonhar com o retorno dos torcedores aos estádios, sem apresentar estimativa de data ou plano para esta volta do público às arquibancadas.

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