Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Caboclo pode ser afastado por mais 20 meses da presidência da CBF após denúncia de assédio moral

Reunião da Comissão de Ética nesta sexta-feira analisa caso apresentado por profissional de TI da entidade; se parecer seja acatado, nova eleição será convocada

Marcio Dolzan / RIO, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2021 | 17h47
Atualizado 12 de novembro de 2021 | 19h28

A Comissão de Ética da CBF decidiu recomendar nova punição, desta vez de 20 meses de suspensão, contra o presidente afastado da entidade, Rogério Caboclo. O colegiado se reuniu nesta sexta-feira para analisar uma denúncia de assédio moral apresentada pelo diretor de Tecnologia da Informação (TI) da entidade, Fernando França. Se o novo parecer for acatado pela Assembleia Geral da CBF, Caboclo será definitivamente afastado e uma nova eleição terá de ser convocada.

Rogério Caboclo está afastado do comando da CBF desde junho, quando uma funcionária protocolou denúncia acusando o cartola de assédios moral e sexual. Em setembro, a Comissão de Ética da entidade considerou o dirigente culpado e aplicou suspensão de 21 meses, pena que foi referendada de forma unânime pela Assembleia Geral no fim daquele mês. 

A punição aplicada à época terminará apenas em março de 2023, a menos de um mês do fim do mandato. Mas, caso a nova sanção seja confirmada pela Assembleia Geral, o cargo de presidente da CBF ficará oficialmente vago, uma vez que a pena extrapola - e muito - o prazo previsto para Rogério Caboclo. Neste caso, uma eleição será convocada. 

A CBF está sendo presidida de forma interina por Ednaldo Rodrigues, um dos oito vice-presidentes eleitos da entidade. Na hipótese de haver uma nova eleição, ela seria disputada apenas entre os oito e com o término do mandato previsto para abril de 2023.

Rogério Caboclo ainda não se manifestou sobre a nova decisão. Ele sempre negou as acusações de assédio contra a funcionária, mas admitiu em entrevista ao Estadão o uso do que chamou de "palavras chulas".

Confira alguns trechos da nota oficial de Rogério Caboclo:

O presidente da CBF, Rogério Caboclo, recebe sem surpresa mais uma decisão arbitrária e desproporcional proferida pela Comissão de Ética do Futebol Brasileiro. A nova punição sugerida pela comissão é mais uma peça do teatro armado dentro da confederação para retirar do cargo um presidente legitimamente eleito.

Caboclo não cometeu assédio moral contra quem quer que seja. As peças do processo são claras em demonstrar que não há provas das acusações parcas, superficiais e plantadas feitas pelo diretor em questão da confederação. O presidente da CBF, inclusive, tomará todas as medidas judiciais e extra-judiciais cabíveis contra ele. A decisão de hoje foi tomada com base apenas nas afirmações do diretor e, pior, a Comissão julgou além e fora do pedido contido na peça inicial, o que é proibido por lei. Julgamento “ultra e extra petita”. 

Em claro cerceamento de defesa impediu o presidente de ser ouvido na fase investigatória a despeito de ele ter apresentado atestado médico e em nenhum momento do processo admitiu ouvir suas testemunhas, ao contrário do que fez com as do diretor. 

Não restam dúvidas que os membros do tribunal de exceção que julga Caboclo estão vinculados ao ex-presidente Marco Polo Del Nero, afastado do futebol, articulador do golpe que visa tomar de assalto o poder da entidade. Todos os integrantes mantêm laços com o ex-dirigente, defenestrado do futebol após graves e comprovadas acusações de corrupção.

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