Cabofriense pensa em ir à Justiça para anular partida

O presidente da Cabofriense, Valdemir Mendes, afirmou nesta quinta-feira que pensa em acionar a Justiça para pedir a anulação da partida de quarta-feira, realizada no Estádio Alair Corrêa, mas ainda não se definiu se recorrerá ao pleito esportivo ou ao comum - o que infringiria uma norma da Fifa. Ele não se conforma com a derrota para o Botafogo, por 1 a 0, em jogo válido pela segunda rodada Taça Guanabara (primeiro turno do Campeonato Carioca). O motivo da revolta: o árbitro Fábio Calábria validou o gol de empate da Cabofriense, mas voltou atrás após consultar o auxiliar Hilton Moutinho, que chegou a correr para o meio-de-campo sem sinalizar nenhuma irregularidade e parou inexplicavelmente no meio do caminho. Depois de conversar com Moutinho, o árbitro assinalou erradamente falta do zagueiro Cléberson no goleiro Max, anulando o gol feito pelo atacante Roberto. O lance polêmico ocorreu aos 38 minutos do segundo tempo. Houve confusão no gramado, com empurra-empurra e muito bate-boca entre o trio de arbitragem e os atletas e integrantes da comissão técnica da equipe de Cabo Frio (Região dos Lagos). Por conta disso, o confronto foi paralisado por aproximadamente cinco minutos. O presidente da Comissão de Arbitragem da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), Carlos Elias Pimentel, afirmou que Moutinho e Calábria não vão participar do sorteio da próxima rodada. Ele pode anunciar uma punição maior para os dois profissionais no início da semana que vem. O dirigente da Cabofriense garantiu que vai buscar seus direitos. ?Vou conversar com nosso departamento jurídico para definir como iremos proceder em busca da anulação da partida, mas certamente iremos tomar alguma providência jurídica?, declarou o presidente. ?Temos a gravação do jogo e todos viram o que aconteceu conosco. Uma situação como essa não pode passar em branco, pois prejudica seriamente nosso trabalho.? Para o zagueiro Cléberson, a disputa de bola com o goleiro Max foi normal. ?Eu estava de costas para o Max e não tive intenção de fazer falta.? O árbitro confirmou nesta quinta que não viu irregularidade no gol da equipe de Cabo Frio, mas decidiu anulá-lo pela convicção do auxiliar, que o acionou por meio de um dispositivo eletrônico instalado na bandeira. ?O ângulo de visão dele era melhor do que o meu?, alegou Fábio Calábria à Rádio Brasil. Após a partida, ele, que é agente da Polícia Federal, foi acusado de apontar sua arma para um torcedor, que reclamou da atuação do trio de arbitragem. Apesar de admitir que portava uma arma na bolsa, o árbitro negou o episódio. ?Ando armado 24 horas por dia, até para me proteger. O torcedor, no entanto, disse que eu estava armado para aparecer. Ele até me contou que queria aparecer na televisão?, afirmou Calábria. Histórico de confusõesO auxiliar Hilton Moutinho é malvisto pela diretoria alvinegra. Explica-se: ele foi apontado como o responsável pela eliminação do clube da Copa Sul-Americana de 2006. Na época, validou gol irregular do Fluminense, nos acréscimos. Mesmo impedido, o volante Marcão empatou o clássico (1 a 1) e levou a decisão da vaga para os pênaltis, vencida pelo time tricolor. A partir daí, dirigentes do Botafogo asseguraram que Moutinho nunca mais trabalharia num jogo da equipe de General Severiano. Prejuízo para o timeO Estádio da Cabofriense pode ser interditado pelo Corpo de Bombeiros. Nesta quinta, o comandante do Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (Gepe), Major Marcelo Pessoa, fez um relatório no qual constatou que o Alair Corrêa não atende aos requisitos básicos de segurança. ?O estádio não tem roleta, logo não há controle do público presente. Gangues de lutadores de jiu-jítsu agem no local e a proximidade entre o gramado e o alambrado facilita o arremesso de objetos?, disse o comandante. ?Não existe como realizar jogos de times grandes nesse estádio.?

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