Mohammed Dabbous/Reuters
Mohammed Dabbous/Reuters

Cada vez mais internacional, Japão aposta em atacante 'semi-holandês'

Filho de jogador de futebol e heptatleta, Havenaar é exemplo do elenco globalizado do país

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

14 de junho de 2013 | 16h46

SÃO PAULO - Quando Brasil e Japão se encontrarem neste sábado para a estreia na Copa das Confederações, em Brasília, um jogador adversário vai chamar a atenção de Neymar, Oscar, Fred e cia. Um atacante grandalhão de 1,94m, sem olhos puxados e nem nome tipicamente nipônico se diferencia do restante do elenco campeão da Ásia. É Mike Havenaar, um dos exemplos da internacionalização responsável por alavancar o futebol na terra do Sol nascente.

O jogador de 26 anos tem uma história curiosa e o esporte no sangue. Filho de holandeses, Mike nasceu em Hiroshima enquanto o pai, Dido, jogava pelo time local. Antes disso a mãe já tinha sido campeã nacional de heptatlo no país de origem. O irmão mais novo do camisa 11 da seleção japonesa também seguiu caminho parecido e aos 18 anos é zagueiro das seleções de base do Japão.

Meio holandês e meio japonês, Havenaar aproveitou a ligação estreita existente entre os países na sua família e na última temporada se transferiu para o Vitesse. Logo na chegada já ajudou a levar o time para ótima quarta colocação no campeonato holandês. "Desde que me mudei para Europa evoluí como jogador em vários aspectos. No Japão eu jogava apenas como centro-avante. No Vitesse, já fui ponta e meia-armador. Na parte física também tive melhoras", explicou o atacante em entrevista exclusiva ao Estado. Alto e bom cabeceador, tem 14 jogos e quatro gols pela seleção japonesa.

Havenaar exemplifica como poucos a atual fase da seleção japonesa. Internacional e globalizada, a equipe se aperfeiçoou nos últimos anos e deixou de ser sinônimo de saco de pancadas. Na primeira Copa em que o país participou, em 1998, a delegação tinha somente atletas que atuavam no futebol local. A campanha foi pífia: penúltima colocação. Já em 2010, quando a equipe foi até as oitavas de final, quatro convocados atuavam foram da liga japonesa. Em 2013, para a Copa das Confederações, a tendência se inverteu totalmente e são 14 "estrangeiros" entre os 23 do elenco do técnico italiano Alberto Zaccheroni.

"O futebol se torna cada vez mais importante no Japão e isso leva a surgir cada vez mais jogadores melhores", disse Havenaar. "A força da nossa seleção está na disciplina e na qualidade técnica. Somos empenhados e trabalhamos sempre pensando no grupo", afirmou.

Apesar de ser o único time já classificado para a Copa de 2014 pelas Eliminatórias, o Japão é considerado zebra na Copa das Confederações. Mesmo com a dificuldade de estrear contra o Brasil e ainda ter pela frente México e Itália, Havenaar garante: as experiências internacionais dos jogadores os deixaram preparados para o desafio: "vamos nos esforçar ao máximo, jogar coletivamente e ter como foco aquilo que temos de ponto forte".

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