Cadeiras voam no Parque Antártica

Era só uma partida da Terceira Divisão do Campeonato Paulista, numa tranqüila manhã de feriado. O Palmeiras B vencia o XV de Piracicaba por 1 a 0 e seguia sua excelente campanha no torneio. Alex Affonso, artilheiro isolado, havia marcado o gol. Mas, perigo, uma cadeira voou nas tribunas do Palestra Itália! A ressaca da derrota para o São Paulo, na noite anterior, não havia passado. E os ânimos palmeirenses ferviam. "Só o Bonamigo não vê que esse cara joga pra caramba!", gritou, das tribunas, um palmeirense, ao elogiar a boa atuação de Alex Affonso, contratado no ano passado para o time A e depois encostado no B. De pronto, voa a cadeira, do alto dos camarotes, onde estavam alguns sócios do clube e conselheiros da situação, e rola pelas fileiras vazias da tribuna do Palestra Itália. Confusão armada, o torcedor quase atingido se volta para cima. "Eu sou palmeirense! Eu sou palmeirense!", gritava, temendo novo ataque. Todos eram palmeirenses, sem dúvida, mas a crise os dividiu, tanto que insatisfeitos e moderados não se entendiam mais. Na manhã de hoje, 13 palmeirenses, todos sócios, passaram sem pagar pelas catracas do estádio para ver o jogo. Nas arquibancadas, 430 piracicabanos - e pagantes - faziam festa. "Eliminado! Eliminado!", gritavam, aos jogadores do time B do Palmeiras, injustamente culpados pela derrota dos colegas de equipe principal. Pior ainda. Como após as derrotas para o Boca Juniors nas edições de 2000 e 2001 da Libertadores, ambas em véspera de feriados de Corpus Christi, voltou a brincadeira sobre o dia de "Porcus Tristi". Em maioria, os visitantes tomaram conta da festa. "Não é mole não, Piracicaba invadiu o chiqueirão!" O pesadelo palmeirense estava completo. E, para piorar, as cores do XV e de sua torcida: preto-e-branco. Era demais. Porém, sem mortos nem feridos, a confusão nas tribunas foi apartada. Do alto dos camarotes, os envolvidos tiveram seus nomes anotados pela administração do estádio, que prometeu avaliar com calma o ocorrido e adotar punições exemplares, se julgar necessário, mesmo que a cadeira tenha voado das mãos de um conselheiro do clube. A versão oficial foi prosaica: uma discussão um pouco mais acalorada teria provocado, acidentalmente, a queda de uma das cadeiras de uma pilha que estava, sem motivo aparente, no parapeito do camarote. Sem nada com isso, os alvinegros do XV equilibraram a partida e arrancaram um empate, por 2 a 2.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.