Cafu depõe na Justiça italiana

Cafu perdeu parte do treino desta quinta-feira da Roma para a partida com o Verona, domingo, no estádio Olímpico. Enquanto seus companheiros se preparavam para manter a liderança no Campeonato Italiano, o lateral prestava depoimento para o promotor Silverio Piro, no Palácio dos Tribunais romano. O magistrado é um dos encarregados das investigações que apuram irregularidades em passaportes de jogadores estrangeiros contratados por times do país. O craque brasileiro está na lista de suspeitos.Cafu chegou ao tribunal vestido de preto, sorridente, mas sem disposição para dar entrevistas. Depois de mais de duas horas de explicações para o promotor, saiu calado e pela porta dos fundos. Como havia feito, pouco antes, sua esposa, que também prestou depoimento, à parte. "Tudo correu bem", garantiu Carlo Taormina, um dos advogados da Roma.A validade do passaporte italiano de Cafu foi colocada em dúvida porque há contradições no processo que resultou na dupla cidadania - e portanto em sua condição de "comunitário". O problema surgiu quando se constatou que não estava clara a ligação entre Vincenzo Domenico Mauro, um italiano que emigrou para o Brasil em 1834, e antepassados de Regina Feliciana, mulher do jogador.O caso mereceu investidas em Morano Calabro - cidade da Calábria, onde teria nascido o bisavô de Regina -, batidas policiais na casa de Cafu e do presidente do clube, Franco Sensi. Também foram ouvidos funcionários do Registro Civil romano e empregados da Roma. O fio da meada, avalia Piro, pode ser desatado em Andrelândia, interior de Minas Gerais, para onde teria partido Vincenzo. Por cautela, a Roma tem escalado Cafu, nas últimas rodadas, na condição de "estrangeiro", para não correr riscos.Julgamentos - A Federação Italiana também está de olho em falcatruas e na segunda-feira, a Comissão de Disciplina pode emitir as primeiras sentenças de jogadores sob suspeita. Nesse dia, devem ser analisados os casos de vários brasileiros, como o goleiro Dida (Milan); Alberto, Warley, Jorginho - contratados pela Udinese, embora os dois últimos já tenham saído -; Jeda e Dedê (Vicenza), Tiago (Internazionale).Também estarão na mira os camaroneses Ondoa, Francis Zé, Thomas Job, da Sampdoria; o uruguaio Alvaro Recoba, da Inter de Milão; o paraguaio Da Silva, Udinese. Se forem condenados, podem ser suspensos e ter cassada a licença para jogar no país.

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