Cafu faz aniversário e quer recorde

Marcos Evangelista de Moraes, o Cafu, já fez história na seleção brasileira. Participou de 138 jogos pelo time nacional, ou 10.797 minutos, foi duas vezes campeão do mundo e, aos 35 anos, completados nesta terça-feira, segue titular absoluto da lateral-direita. Agora, planeja quebrar mais um recorde - o de único atleta do planeta a participar de quatro finais de Copa. Já esteve na de 1994, nos Estados Unidos, na de 98, na França, e na de 2002, no Japão. Falta só uma boa campanha na Alemanha, em 2006. Seu talento começou a despontar no início dos anos 90 com Telê Santana, no São Paulo. Depois, brilhou por outros grandes clubes como Palmeiras, Roma e Milan. A vida regrada, baseada na relação familiar, mantém o condicionamento físico, e a cabeça, em excelente nível - costuma fazer musculação por 35 minutos diários. Por isso, além de mandar na lateral-direita, ainda é o capitão da equipe de Carlos Alberto Parreira. "O Cafu é um líder, uma referência para os jogadores jovens, ele tem prazer de estar conosco apesar de já ter vivido tanta coisa no futebol", elogiou o treinador. "Quando assumi a seleção, conversei com o Cafu, o Rivaldo e o Roberto Carlos e disse que eles é que teriam de indicar o momento de parar, de deixar a seleção, não eu. O Cafu, pela vontade, vai até a Copa de 2014, no Brasil." Um certo exagero. Depois da Copa de 2006, o jogador deverá se despedir da seleção, embora, nesta terça, em entrevista coletiva, disse ainda não ter feito planos para o futuro. Nesta quarta, ele retorna à equipe, depois de ter cumprido suspensão contra o Paraguai. Agência Estado - Como se vê titular da seleção brasileira aos 35 anos e o que planeja para o futuro? Cafu - São 35 anos de muita felicidade, muita alegria, vivi momentos maravilhosos no futebol, dentro e fora do campo. Ainda não fiz projetos para o futuro, mas quero continuar jogando futebol por mais um bom tempo, sempre me cuidei bastante, estou bem. AE - Você poderá ser o único jogador a participar de quatro finais de Copa do Mundo... Cafu - Seria maravilhoso disputar mais uma final, mas vamos com calma. A gente precisar ir à Copa do Mundo, ganhar os jogos para, então, estar na final de novo, não será fácil. AE - Como vê o jogo com a Argentina, acha que o Brasil pode repetir a atuação de domingo? Cafu - Há muito tempo a seleção não vive um momento de tanta tranqüilidade. O jogo é bastante difícil, mas podemos sair daqui com um bom resultado. É um clássico de que todo mundo quer participar. É diferente de qualquer outro jogo, porque reúne as duas melhores seleções do mundo. A gente precisa ter mais cuidado do que contra o Paraguai, mas acredito no time. AE - Chegou a conversar com o Maradona? Cafu - A conversa foi ótima, pena que rápida. Ele falou palavras bonitas para a gente, mostrou ser uma pessoa muito simples. AE - Teme que haja racismo durante o jogo? Cafu - Não há racismo entre os jogadores. Mas, entre a torcida, sempre tem, não há como controlar.

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