Cafu parte para mais um recorde na seleção brasileira

No jogo deste domingo contra a Austrália, Cafu estará batendo mais um recorde.Ele igualará a marca de Taffarel e de Dunga como o jogador brasileiro que mais participou de jogos em Mundiais.A partida em Munique será a 18ª do capitão, que alerta: essa deve ser sua última Copa do Mundo. "Vocês não terão de me agüentar mais?", disse. O alemão Lotthar Matthaus tem a maior marca mundial, com 25 presenças nas Copas de 1982, 86, 90, 94 e 98. Com 36 anos, Cafu participa de seu quarto Mundial e, se vencer, pode ser o primeiro jogador a levantar a taça por duas vezes seguidas. Capitão, sorridente e experiente, o lateral garante que tem seu próprio modelo para mostrar liderança e que não repetiria o comportamento do ex-capitão Dunga de gritar em campo e gesticular. "Não preciso abrir os braços, xingar companheiros e mostrar para todo o mundo que o jogador de minha equipe errou. Cada um tem seu jeito de passar energia, mas eu prefiro que seja de uma forma que não seja esta. Quando alguém erra, já ficamos todos em uma situação desconfortável. Não há necessidade de ter alguém ainda mostrando às TVs de todo o mundo os erros", disse o capitão. Questionado se estava criticando a forma de liderança de Dunga, Cafu nega. "Esse era o estilo dele. Mas eu não sou assim, o modelo que uso funcionou até agora e não vou mudar", afirmou. Na recente crise envolvendo Ronaldo e seu fraco desempenho no primeiro jogo do Mundial, contra a Croácia, Cafu mostrou sua liderança fora de campo ao chamar Ronaldo para uma conversa após a partida. "Estou sempre à disposição. Disse a todos no elenco que estou disposto a conversar a qualquer horário", revelou Cafu, que admitiu que, com o tempo, já consegue percebe quem está com problema. "Eu sempre digo aos meninos (jogadores) que não se preocupem com as críticas e que dêem a resposta em campo. Mais criticado que eu ninguém foi. Primeiro diziam que eu não sabia marcar, depois que não sabia cruzar, que não sabia passar e hoje estou velho", disse. Para Cafu, a relação entre os jogadores na seleção é uma de "amigo e de irmão". "Parece que estou em um ambiente de clube aqui. Promovemos muitas brincadeiras entre nós", explicou. Para o jogo contra Austrália, Cafu tem um objetivo: conquistar uma vitória convincente e que dê nova energia ao Brasil na Copa. Mas ele alerta que o adversário pode complicar, especialmente porque conta com jogadas aéreas e tem jogadores são rápidos e fortes. "Poderemos nos posicionar no campo de uma maneira diferente", revelou. Mas seus objetivos são também de longo prazo. "Ser lateral não é fácil. Quero depois jogar na zaga", concluiu, sem saber quando irá parar de jogar e quebrar recordes.

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