Cafu pode jogar até aos 40, diz Moraci

"Cafu é um fenômeno. Com 33 anos, continua jogando como se tivesse 18." A observação do técnico Carlos Alberto Parreira poderia soar como um simples elogio ao empenho do lateral toda vez que é convocado para a seleção brasileira. Mas ela pode ser bem mais expressiva. Cafu tem um dos melhores aproveitamentos nos treinos da equipe, desde a conquista do Mundial de 2002, no Japão. E é um dos poucos do time a terminar as partidas em boas condições físicas. Não é só Parreira que acredita na possibilidade de dois fenômenos conviverem na seleção - o outro, Ronaldo, é tratado assim pela imprensa há vários anos. "Se o Cafu mantiver a vida regrada e continuar se cuidando, tem tudo para chegar aos 40 anos com a mesma força e ritmo de hoje", afirmou o preparador físico Moraci Sant?Anna, depois de uma atividade, segunda-feira, no Estádio Rei Pelé, em Maceió, na qual Cafu mais uma vez se destacou, embora ainda estivesse sob o efeito da desidratação que atingiu todo elenco na partida contra a Venezuela. Sant?Anna não fez as contas quando da afirmação. Sem querer, ele previu que Cafu pode chegar muito bem até a Copa de 2010. "Quero pensar agora em 2006 e estou me sentindo muito bem, realmente", antecipou o craque do Milan, com quem tem contrato até junho de 2005. Cafu nasceu em junho de 1970 e é o recordista de finais de Copa do Mundo. Disputou as de 1994,1998 e 2002. O alemão Lothar Matthaeus esteve inscrito também para três finais de Mundial - em 1982, 1986 e 1990, mas não participou da primeira, na derrota da Alemanha por 3 a 1 para a Itália. O lateral da seleção brasileira já disputou 16 jogos de Copa do Mundo e está longe do primeiro colocado, o próprio Matthaeus, que tem 25 partidas pela competição de futebol mais importante do planeta. O alemão esteve presente também nos Mundiais de 1994 e 1998. "O Cafu tem um fôlego impressionante; ele ataca com velocidade e muita facilidade e acrescentou a seu modo de jogar uma capacidade muito boa de marcação", comentou o coordenador-técnico Zagallo. Embora o lateral não fale sobre o assunto, a possibilidade de ele se igualar a Matthaeus e a Antonio Carbajal, do México, que disputaram cinco Mundiais, não seria tão surpreendente assim. Para Moraci Sant?Anna, Cafu tem uma vantagem como atleta, a de sempre ter se cuidado ao máximo na alimentação e nas atividades de lazer. "Isso prolonga a vida do profissional do futebol." A hipótese de Cafu permanecer na seleção até 2010 pode ser um freio à tentativa dos últimos técnicos da seleção em encontrar um lateral-direito capaz de suprir a ausência do capitão do pentacampeonato mundial. Na campanha da Coréia do Sul e do Japão, o então treinador da seleção, Luiz Felipe Scolari, convocou Belletti para a reserva de Cafu. Carlos Alberto Parreira assumiu o comando da equipe em janeiro de 2003 e também insistiu em Belletti como segunda opção para a posição. Mais recentemente, ele fez experiência com Mancini, da Roma. E tem apostado agora no ex-cruzeirense Maicon, atualmente no Monaco. Nenhum deles agradou Parreira, por enquanto. "Volto a dizer. Estou concentrado em classificar o Brasil para o Mundial de 2006 e, depois, disputá-lo. Sobre o que vai acontecer mais tarde, não sei", salientou Cafu. Ainda é cedo para apostas, mas não custa lembrar que o camaronês Roger Milla foi atração na Copa do Mundo de 1994, aos 42 anos. E era um dos que mais corriam no seu time.

Agencia Estado,

13 de outubro de 2004 | 18h24

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