Hélvio Romero/Estadão
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Caiu a ficha. E Aguirre

O time de Aguirre se agarrou a uma única maneira de atuar, com baixa posse de bola

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2018 | 04h00

Um título paulista, uma Libertadores, um Mundial e três brasileiros consecutivos. Foram quatro temporadas de domínio do São Paulo entre 2005 e 2008, quando os tricolores ainda fizeram uma segunda final sul-americana, em 2006. Não demorou e os são-paulinos adotaram o rótulo de “soberanos”. Pois tal superioridade, autoridade, domínio, poder, se esvaiu rapidamente. Na última década apenas um troféu foi erguido, e numa final confusa, que não terminou, contra os argentinos do Tigre, em 2012, pela Copa Sul-americana. Um título importante, mas pouco reconhecido por muitos dos torcedores. 

Esse declínio teve consequências, turbinadas pelos períodos de domínio dos rivais. O fim da “soberania” tricolor coincide com quatro títulos paulistas, um da Copa do Brasil, três Brasileiros, um Mundial e uma Libertadores do Corinthians, que jogava a segunda divisão no ano do tri são-paulino. 

O Santos levantou de lá pra cá a Copa do Brasil e a Libertadores, além de erguer cinco vezes o troféu estadual. O Palmeiras não ganhou o certame doméstico, mas além de duas Copas do Brasil e um Brasileiro (com outro bem encaminhado após o 1 a 1 com o Atlético), se transformou em um dos clubes mais ricos do país. Tal cenário expôs o São Paulo e sua enorme torcida, a terceira maior do Brasil, à carência de triunfos inimaginável nos tempos da “soberania”. O que reduz o nível de exigência, com muitos aderindo ao modo “só vencer é o que importa”. Isso explica a decepção atual de quem se iludiu com a liderança. 

O São Paulo que assumiu a ponta do Brasileiro após a Copa do Mundo viveu um período em que tudo deu certo, ou quase. Diante dos placares favoráveis, poucos prestaram atenção ao estilo, à qualidade do futebol apresentado, se aquilo era mesmo o bastante para que o time alcançasse o título. 

Não era. A equipe dirigida por Diego Aguirre se agarrou a uma única maneira de atuar, invariavelmente com baixa posse de bola, diminuta troca de passes, raras finalizações, apoiada em defesa fechada, velocidade na saída para o ataque e um altíssimo índice de aproveitamento nos arremates. 

Os adversários, evidentemente, perceberam isso. Vieram as lesões, desfalques e nenhuma solução foi encontrada pelo treinador uruguaio. Após a eliminação da Sul-Americana para o Colón, na Argentina, foram dez semanas livres apenas com treinamentos nos dias úteis e jogos aos finais de semana. Sem progresso. Aguirre chegou a escalar três volantes, dois atacantes, mudar o desenho tático de seu time, mas a essência segue inalterada. Esse São Paulo “não gosta” da bola, segue como um dos times que menos passes trocam na Série A, não tem grande elenco e esbarra na sua dificuldade crônica quando tem que assumir o jogo. 

Foi assim que sofreu para empatar com o Corinthians, sábado, em Itaquera, mesmo atuando com um a mais por todo o segundo tempo. Finalizou mais na primeira etapa, quando eram 11 contra 11, do que ao ficar em superioridade numérica. Com mais tempo tendo a bola, os tricolores não souberam o que fazer. 

Levar 1 a 0 com um homem a mais, sofrer para empatar, não demonstrar a menor condição para assumir a peleja mesmo diante de um rival fragilizado e com menos um atleta em campo foi demais. Caiu a ficha dos são-paulinos. Não havia mais como maquiar a realidade de um time aquém do que deveria ser. 

E houve o erro da arbitragem, que não observou a bola ultrapassando a linha no que seria o gol de Danilo, abrindo o placar para o Corinthians. Uma vitória em nove jogos, com tempo para treinar, de que nada adiantou se com ele não se sabia o que fazer. A saída de Aguirre foi apenas resultado de um trabalho sem perspectivas.

 

 

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