Caixa D?Água reúne conselho da Ferj

Acuado pelas denúncias do ex-funcionário David Jorge Lima Tavares, o presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), Eduardo Viana, o Caixa D?água, reúne-se amanhã com o Conselho Arbitral da entidade. O objetivo é o de tentar arrumar uma explicação para as acusações de desvios de verbas nas rendas das partidas do Campeonato Carioca. Na segunda-feira, Lima Tavares admitiu ter participado de um ?esquema? de fraudes nos borderôs (documento de prestação de contas dos jogos), ondeCaixa D?água e um de seus vice-presidentes, Francisco Aguiar, eram os principais beneficiados. Segundo Lima Tavares, Caixa D?água e Aguiar embolsavam cerca de R$ 6 mil por jogo. O ex-funcionário da Ferj explicou que seu trabalho era o de ?mascarar? os borderôs para que o desvio de verbas não fosse descoberto. A prática de fraudar os borderôs, segundo Tavares Lima, vem sendo feita há 16 anos, desde quando Caixa D?água assumiu a Ferj. O ex-funcionário, de 75 anos, foi desligado da entidade em maio do ano passado, quando passou a ter problemas de saúde. No total, ele trabalha no futebol carioca há 40 anos.Outras denúncias feitas por Lima foram a inclusão de ?funcionários fantasmas? no quadro móvel da Ferj, durante a realização dos jogos. ?Aumentávamos o número de pessoas. Como alguém ia fiscalizar se tantas pessoas estavam mesmo trabalhando??, questionou. ?O Francisco Aguiar ia na sala de arrecadação e colocava no bolso as sobras.? Já Diana Gentil Lima, filha do ex-funcionário da Ferj, acusou Caixa D?água e Aguiar de terem tramado seu seqüestro. Durante 100 dias, ela ficou nas mãos de seqüestradores que, em nenhum momento, entraram em contato com sua família ou fizeram pedido de resgate. Curiosamente, Diana foi libertada três dias depois da apresentação do relatório final da CPI do Futebol, no Senado. ?Conheço quem me seqüestrou e sei que ele tem ligações com o Francisco (Aguiar). Por isso, desconfiamos que meu seqüestro foi para impedir meu pai de depor na CPI?, disse ela. Para acusar Aguiar e Caixa D?água, Diana se baseou no fato de que o sobrinho do vice-presidente da Ferj, Sérgio Marinho, foi omandante de seu seqüestro. ?Sei que todos eles mantém uma boa relação. Por isso eu desconfio deles?, disse. Caixa D?Água se defendeu das denúncias e afirmou que a confecção dos borderôs não é de responsabilidade da Ferj, mas da Cooperativa dos Prestadores de Serviços em Eventos Esportivos (Coopeb). Lima Tavares rebateu as explicações do dirigente e afirmou que Aguiar agia com a conivência do presidente da Ferj.O deputado estadual Bernard Rajzman (PSB) confirmou hoje que no dia 19, quando acaba o recesso de fim de ano da Assembléia Legislativa, entrará com o pedido de instauração de uma CPI para apurar as acusações de desvios de verbas e apropriação indébita na Ferj. Segundo o ex-jogador de vôlei, ele já tem a confirmação de que, em 48h, após dar entrada no pedido, os trabalhos serão iniciados. Afirmou ainda que o senador Geraldo Althoff (PFL-SC), relator da CPI do Futebol, irá ajudar tecnicamente nas apurações sobre as irregularidades na Ferj.

Agencia Estado,

30 de janeiro de 2002 | 18h48

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.