Calendário mostra força da TV Globo

Um dia após a divulgação do calendário quadrienal, as partes interessadas ainda digeriam as novidades. O calendário é considerado um avanço e deixou algumas certezas, entre elas a influência cada vez maior da TV Globo nos destinos do futebol brasileiro. Esse poder ainda poderá ter outros desdobramentos. Entre os dirigentes, fala-se na hipótese de o Brasil ter direito a seis participantes na edição 2002 da Taça Libertadores da América. Atualmente o Brasil indica quatro clubes: o campeão e o vice brasileiro e os vencedores da Copa do Brasil e da Copa dos Campeões. Estuda-se a possibilidade de o terceiro e o quarto colocados do Brasileiro também terem direito a vaga.Uma Libertadores vitaminada interessa à emissora. O torneio sul-americano tem sido responsável por altos índices de audiência nas noites de quarta-feira, dia em que a Globo enfrenta a forte concorrência do Show do Milhão, do SBT.Apesar de quatro times brasileiros terem participado da edição deste ano - Palmeiras, Cruzeiro, Vasco e São Caetano -, nenhum chegou à final. Além da Libertadores, a Globo detém o monopólio dos campeonatos internos. Ela comprou da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) o Brasileiro, os cinco torneios regionais (Rio-São Paulo, Nordeste, Sul-Minas, Norte e Centro-Oeste), a Copa do Brasil e a Copa dos Campeões. Com as federações, acertou os direitos sobre os estaduais.Para alguns clubes, o dinheiro pago pela transmissão dos jogos, por meio da Globo Esportes, chega a 85% da receita mensal. "A Globo tem direito de dar palpites no calendário porque pagou, só pelo Brasileiro, US$ 73 milhões. O problema é que ela está sozinha", diz o diretor de uma outra emissora.Depois de participar da cerimônia de apresentação do calendário quadrienal, terça-feira, no Rio, Marcelo Campos Pinto, diretor do Globo Esportes, não quis falar sobre o assunto nesta quarta-feira. "Ele está viajando", informou a assessoria. Durante a solenidade, porém, o executivo confirmou que a empresa teve voz ativa na elaboração do calendário, do qual foi excluída, a partir de 2002, a Copa Mercosul, um dos principais eventos da Traffic, do empresário J. Háwilla. "Num determinado momento (da elaboração do calendário), o Clube dos 13 nos procurou para darmos algumas opiniões", disse Campos Pinto.O calendário deixou dúvidas, que não foram esclarecidas oficialmente nesta quarta-feira. Uma das principais diz respeito à participação paulista no Rio-São Paulo. A Federação Paulista de Futebol (FPF) não divulgou quem serão os clubes do estado num dos torneios mais cobiçados da próxima temporada. Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo e Portuguesa estão garantidos. As outras quatro vagas, pelo menos teoricamente, estão sendo disputadas por cinco clubes: Ponte Preta, Guarani, Etti Jundiaí, São Caetano e Botafogo.

Agencia Estado,

27 de junho de 2001 | 19h52

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