Marcio Fernandes/Estadão Conteúdo
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Calor pode levar CBF a 'desistir' dos jogos das 11 horas no Brasileiro

Reunião no dia 30 vai avaliar risco para os jogadores

Almir Leite, Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2015 | 17h00

A rodada deste domingo do Campeonato Brasileiro pode ser a penúltima no ano com jogos às 11 horas. A definição ocorrerá na próxima quarta-feira, dia 30 de setembro, em reunião da Comissão Nacional de Médicos da CBF. Se no encontro a conclusão for que o aumento da temperatura poderá trazer risco para os jogadores, o horário será “abandonado’’. 

Neste domingo, jogam Santos x Internacional, na Vila Belmiro, e Atlético-PR x Ponte Preta, na Arena da Baixada, em Curitiba. E a tabela do Brasileiro marca para o próximo domingo, dia 4 de outubro, os jogos entre Flamengo e Joinville, no Rio, e entre Avaí e Vasco, em Florianópolis, para as 11 horas. Essas partidas poderão ser as últimas no horário matinal este ano.

As críticas ao horário cresceram depois da rodada passada, quando o clássico entre Corinthians e Santos e o jogo entre Goiás e Joinville ocorreram sob altas temperaturas. “É desumano’’, resumiu o zagueiro santista David Braz. “O torcedor pode até ter aprovado, mas os atletas não gostaram. É muito difícil jogar debaixo do sol do meio-dia. É desgastante demais e acaba prejudicando o espetáculo’’, acrescentou o corintiano Vagner Love.

O que vai determinar a continuidade ou não das partidas matinais é a conclusão de um estudo que vem sendo feito há um mês pela CBF, com as condições a que os atletas são submetidos medidas por um aparelho desenvolvido pelos militares americanos, o WBGT (Wet-bulb globe temperature).

 

“O aparelho mede alguns parâmetros. Não só a temperatura, mas variantes como umidade, nível de radiação solar e o vento’’, explica o neurocirurgião Jorge Pagura, presidente da Comissão Nacional de Médicos do Futebol, ligada à CBF, a organizadora do Campeonato Brasileiro.

De acordo com ele, quando o cruzamento desses dados atinge o número 32, chega-se ao nível máximo de segurança para os atletas. Acima disso, os jogadores correm risco. Pagura garante que até agora nenhum jogo atingiu este nível – embora a temperatura ambiente do campo do Itaquerão tenha atingido 35 graus C no domingo passado e no Serra Dourada tem chegado a 44 graus. “Mesmo assim o registro do aparelho esteve abaixo do nível de segurança.’’

O médico lembra da recomendação de que ocorram paradas médicas de três minutos nas partidas sempre que a temperatura ambiente atinja 28 graus C - a interrupção é feita aos 30 minutos de cada etapa, para que os jogadores possam se hidratar.

O fisiologista Diego Leite de Barros, da área de Sport Check-Up do Hospital do Coração, diz que a desidratação é o grande risco que os atletas correm jogando a altas temperaturas: “O atleta profissional tem uma preparação física bem feita, mas corre risco de uma desidratação maior e isso está associado a uma queda de rendimento’’. Ele explica que pode ocorrer, também, comprometimento muscular e até neurológico do jogador.

Pagura garante que esse risco será evitado, se necessário com a proibição dos jogos às 11 horas - o ideal seria imediatamente, mas será difícil alterar as partidas do dia 4. “Esse horário foi estabelecido pensando no inverno. Se houver algum risco, é lógico que será modificado (na reunião de quarta-feira). Vamos decidir pela segurança dos atletas.’’

Outra medida que poderá ser adotada é a parada médica nas partidas com início às 16 horas sempre que a temperatura estiver alta.

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