Câmara aperta cerco contra Eurico

O presidente da Câmara, deputado Aécio Neves (PSDB-MG), deu nesta quinta-feira o primeiro passo para abertura de um processo que poderá levar à cassação do mandato do presidente do Vasco, deputado Eurico Miranda (PPB-RJ). Ele entregou ao corregedor-geral, Barbosa Neto (PMDB-GO), as denúncias apuradas pela CPI do futebol contra o dirigente, no mesmo instante em que as recebeu do presidente e do relator da comissão, Álvaro Dias (PDT-PR) e Geraldo Althoff (PFL-SC). Aécio assegurou que a Câmara não vai se intimidar diante das acusações contra Eurico. "Posso assegurar que não haverá corporativismo ou proteção a quem quer que seja", garantiu. "A Câmara vai se valer de todos os instrumentos que possui para manter a ética." O deputado garantiu que não haverá demora no encaminhamento da investigação. Ainda assim, o recesso parlamentar que começa na segunda-feira, dará dois meses de folga a Eurico. Barbosa Neto lembrou que só poderá entregar seu parecer à Mesa Diretora depois de 15 de fevereiro, no retorno dos trabalhos ordinários do Legislativo.Cabe a ele decidir se as acusações justificam ou não a abertura de um processo contra o dirigente por quebra de decoro parlamentar. O processo, no caso de Eurico, se justificaria pelo fato dele ter cometido os crimes que lhe são atribuídos no exercício do mandato. O deputado é acusado de apropriação indébita, falsidade ideológica, e de crimes contra o sistema financeiro, tributário. A CPI quer ainda que a Câmara se manifeste pelo fato dele ter tentado obstruir suas investigações. O trabalho do corregedor-geral não será fácil. Além do hábito do dirigente de tentar intimidar seus colegas, Barbosa Neto terá de superar eventuais pressões do partido do dirigente, o PPB, e de outros colegas da bancada da bola. A sorte do corregedor é a de ter a seu favor a disposição do presidente da Câmara de levar adiante um "pacote ético", cuja principal motivação é a de "varrer" da Casa parlamentares que comprometem a imagem da instituição. "Não acredito que Aécio vá fazer vistas grossas", previu Álvaro Dias. Para Althoff, o deputado demonstrou que "está compromissado com as investigações". Se não fosse a barreira que impede a votação do pedido de licença para processá-lo, há muito o Supremo Tribunal Federal teria agido contra Eurico Miranda. Motivo é o que não falta. Nos últimos dois anos, o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, encaminhou cindo pedidos de inquérito contra o deputado. Um desses, denunciando o patrimônio milionário que o dirigente possuiria nos Estados Unidos, está prestes a ser concluído no âmbito do Ministério Público, com o recebimento de informações solicitadas às autoridades norte- americanas. A situação do deputado deve se agravar na semana que vem, com a promulgação da emenda constitucional que acaba com a imunidade parlamentar para os crimes comuns. O fim do privilégio permitirá ao STF dar encaminhamento aos processos contra Eurico ou qualquer outro parlamentar, sem depender da autorização da Câmara ou do Senado.

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