Camarões é o campeão das desavenças

Seleção africana chega ao confronto com o Brasil sem chances de classificação

Almir Leite - Enviado especial a Teresópolis, O Estado de S. Paulo

20 de junho de 2014 | 05h00

Jogadores que não se falam, outros que brigam em treinos e em jogos. Alguns não engolem o técnico. E também há os que, vira e mexe, abrem guerra com a federação. A seleção de Camarões, adversária do Brasil na segunda-feira, é versão futebolística da Torre de Babel. Ninguém se entende, e o resultado – ou a falta de – é visto em campo.

O campeão das desavenças é o astro do time, Samuel Eto'o. Tem rixa com o volante Song. Ambos apenas se toleram. A tolerância também marca a relação de Eto’o com o técnico alemão Volker Finke, que já chegou a chamar o atacante de "infantil".

Em Camarões há quem acredite que Eto'o faz "corpo mole" e que poderia ter ajudado a seleção contra México e Croácia, apesar da contusão no joelho. O atacante garante que não tinha condições de jogo e que espera atuar contra o Brasil.

Eto'o também desagrada aos mais jovens, e também a mais velhos como Song e Webo, pelas mordomias. Nessa Copa, por exemplo, desfruta de suíte na concentração enquanto o resto do grupo divide quartos.

Finke não é respeitado pelos mais velhos e se "vinga" tentando dar força aos jovens. Mas não consegue evitar brigas como a de Ekotto e Moukandjo, que trocaram cabeçadas em pleno campo nos minutos finais do jogo em que Camarões levou de quatro da Croácia. "É deplorável, inaceitável, não gostei", reclamou Finke, que deverá ser demitido após enfrentar o Brasil.

Os jogadores também brigaram por dinheiro e chegaram a atrasar a vinda ao Brasil para forçar a federação a dar a eles parte (6%) do que ganhou da Fifa. No final, somando o prêmio dado pelo governo, cada um levou R$ 270 mil para disputar a Copa.

Apesar dos problemas, Camarões adota o discurso de despedida digna. "Espero uma resposta positiva dos jogadores", diz o treinador. Vai ser difícil obtê-la.

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