Cambistas "oficiais" atacam no Vivaldão

O jogo Brasil x Equador, pelas Eliminatórias, pode ter sido muito bom para o Amazonas em termos de divulgação externa. Mas a nível de imagem junto aos amazonenses transformou-se em um bom exemplo de que apadrinhamento político aliado a pouco escrúpulo pode dar resultados bem lucrativos. Neste jogo da seleção brasileira, um segmento já era considerado vencedor antes mesmo do ponta-pé inicial: a classe dos cambistas. Desde que os ingresso foram colocados à venda, poucos puderam ser adquiridos nos postos oficiais de vendas. Quem chegava às bilheterias do Estádio Vivaldo Lima, somente encontrava ingressos nas mãos dos cambistas, a preços, evidentemente, bem superiores. No início, a média de preço da arquibancada era de R$ 45,00, mas com o passar do tempo e o interesse do público, os mesmo bilhetes passaram a ser negociados a R$ 70,00, ou seja, o dobro do que custaria se fosse comprado oficialmente. No início, pensou-se que o fato fosse resultado de ação isolada dos cambistas, que vislumbraram na partida a possibilidade de um lucro certo e resolveram investir. Mas o tempo mostrou sinais de possível existência de um esquema bem maior de favorecimento, com base, ou pelo menos favorecimento, nos próprios dirigentes da Federação Amazonense de Futebol. Um dos principais sintomas que alimentaram esse suspeita tem nome: Antilde Valério, irmão do presidente da Federação, Dissica Valério Tomaz. Ele foi flagrado vendendo ingressos em um posto de gasolina, fotografado durante a venda e ainda deu declarações dizendo que já tinha vendido mais de 200, conseguidos através de um esquema. Quando soube que falava com repórteres, disfarçou e contou uma história diferente, na qual teria incumbido vários amigos de ficarem na vila para comprar o ingresso e depois revender. Se isso fosse verdade, a fila de amigos deveria ser muito grande. Nesta quarta-feira, o entorno do estádio Vivaldo Lima transformou-se em uma praça de venda de ingressos majorados. Tinha até promoção: levando mais de um, ganhava desconto. E se o cliente precisasse de grande quantidade, não tinha problema. O vendedor entrava no estádio e "misteriosamente" voltava com quantos ingressos fosse preciso. Mas outra categoria social também lucrou muito com o jogo. Desde as primeiras horas do dia, centenas de barraqueiros de espremiam em torno do estádio. Vendiam de fitas para o cabelo a garrafas de uísque, passando pela tradicional cerveja gelada e o não menos conhecido churrasquinho de gato. E bastava olhar para os torcedores chegando para notar que o comércio de material esportivo também teve bom faturamento. As camisas da seleção, brilhando de novas, eram mostradas pela maioria dos torcedores a caminho do estádio. Uma festa em verde e amarelo que certamente teria um brilho maior se não fosse a vergonha de reconhecer que o povo continua sendo explorado por aproveitadores de ocasião.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.