Tony O'Brien / Reuters
Tony O'Brien / Reuters

Campeão da Copa de 66, Geoff Hurst oferece cérebro para pesquisas sobre demência entre ex-jogadores

Ex-jogador também apoia proibição do cabeceio em jogos de futebol para crianças pequenas

Redação, Estadão Conteúdo

18 de novembro de 2020 | 18h37

As doenças neurodegenerativas tem sido uma grande preocupação no futebol inglês, principalmente após Bobby Charlton, campeão da Copa do Mundo de 1966 com a Inglaterra e ídolo do Manchester United, ter sido diagnosticado com demência. Outro dos atletas presentes naquela conquista, Geoff Hurst, hoje com 78 anos, ofereceu seu cérebro para ser pesquisado após a morte, de forma a entender os impactos do esporte na atividade neurológica, e apoiou que cabeçadas sejam proibidas em jogos infantis.

Além de Charlton, outros ex-jogadores de futebol sofreram com a demência no país europeu, como Nobby Stiles, outro campeão de 1966, que faleceu no início de novembro após batalhar com a doença por quatro anos, e Jack Charlton, irmão de Bobby e também parte do elenco de 1966, que faleceu em julho de 2020 e também lidava com o problema.

“Parece haver um grupo particular de pessoas que estavam sofrendo. Lembro dos meus dias de treino no West Ham, tínhamos uma bola pendurada no teto e a cabeceávamos por 20 minutos. Então jogávamos tênis de cabeça no ginásio e, nos treinos em campo, praticávamos cabeçadas na primeira trave, na segunda trave, e você chegava a cabecear 20 ou 30 bolas no espaço de meia hora”, relembrou Hurst durante entrevista ao jornal Daily Mirror.

O ex-atacante não exitou em confirmar que doaria o cérebro, quando perguntado. “Sim, com certeza. O Jeff Astle (ex-jogador do West Bromwich) fez isso por meio de sua filha Dawn, é claro, e vendo isso e tendo outra pessoa fazendo o mesmo é bom. Se eu puder ajudar, assim como famílias que perdem pessoas e doam seus órgãos, acho que seria fantástico para as outras pessoas. Portanto, se eu puder ajudar assim, eu discutiria isso com minha mulher, e ela não teria objeções. A resposta direta seria sim”, afirmou.

Por fim, ainda defendeu o fim das cabeçadas em jogos infantis. “(Proibir que crianças cabeceiem a bola) Seria uma sugestão bem forte e sensata. Acho que devemos investigar a possibilidade de impedir que elas cabeceiem em uma idade tão jovem, quando o cérebro não amadureceu ainda. Não acho que isso destruiria o prazer do futebol infantil ou do futebol de base”, opinou. A CBF fez essa recomendação em jogos para crianças menores de 12 anos.

Na carreira, Geoff Hurst passou por West Ham, Stoke City e West Bromwich, entre outros times menores. Na seleção, ficou marcado por ter anotado três gols na final da Copa do Mundo de 1966, vencida pela Inglaterra contra a Alemanha por 4 a 2. O gol dele que colocou a Inglaterra em vantagem na prorrogação é até um hoje um dos lances mais controversos da história do futebol, por ter sido validado apesar de não ter cruzado toda a linha.

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